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Israel envia tropas a uma cidade da Cisjordânia em meio a críticas dos EUA
Israel enviou tropas nesta quinta-feira (13) a uma localidade da Cisjordânia ocupada, onde um grupo de colonos cercou casas palestinas, o que levou o embaixador dos Estados Unidos a denunciar um "ato de terrorismo" em uma declaração de tom excepcionalmente duro.
Paralelamente, as autoridades israelenses inauguraram oficialmente uma colônia em outra área do território ocupado, mais de 20 anos depois de ela ter sido desmantelada.
Desde domingo, colonos israelenses mantêm várias residências palestinas cercadas em Qusra, perto de Nablus, no norte da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.
Entre as propriedades afetadas está a de um cidadão americano.
Os moradores afirmam que ficaram isolados e sem acesso a alimentos ou a outros suprimentos básicos.
O Exército israelense enviou tropas à região "para proteger os moradores e manter a segurança", segundo um comunicado.
Na quarta-feira, já havia enviado tropas à região e retirado uma tenda instalada pelos colonos, além de prender um israelense, segundo um comunicado.
"A tenda e as coisas dos colonos não estão mais lá", mas estão "na colina vizinha", declarou à AFP Aicha Hasan, que mora em uma das casas afetadas, em meio a uma "área completamente isolada pelo Exército".
As câmeras da AFP registraram soldados patrulhando as ruas.
— "Fracasso" do governo —
"As ações daqueles que cometeram esse ato horrível de terrorismo destinado a intimidar e assediar essa família são repugnantes", escreveu na rede social X o embaixador americano, Mike Huckabee.
"Não há desculpa para um comportamento tão típico de arruaceiros", acrescentou.
Suas declarações são especialmente marcantes porque Huckabee, pastor evangélico e figura próxima ao movimento dos colonos, já apoiou os assentamentos israelenses na Cisjordânia e rejeitou a criação de um Estado palestino.
Segundo Huckabee, Israel agiu a pedido dos Estados Unidos, seu principal aliado, apesar das divergências que seus líderes, Donald Trump e Benjamin Netanyahu, vêm exibindo nos últimos meses, especialmente em relação à proposta americana para a Faixa de Gaza.
Para Gadi Eisenkot (centro), principal rival do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nas próximas eleições legislativas, "os acontecimentos de Qusra ilustram mais uma vez o fracasso e a fraqueza deste governo".
A ONU pediu a Israel que "respeite as obrigações que lhe cabem nos termos do direito de ocupação, a fim de garantir a segurança da população palestina local".
Uma porta-voz do serviço diplomático da UE, Anitta Hipper, também instou Israel a tomar "medidas concretas para impedir os atos violentos dos colonos".
Pouco depois das declarações do embaixador americano, vários dirigentes israelenses, incluindo o ministro da Defesa, Israel Katz, foram ao assentamento de Ganim, no norte da Cisjordânia, que foi reinaugurado nesta quinta-feira.
Ganim foi um dos quatro assentamentos desmantelados em 2005.
No entanto, três deles foram reconstruídos durante o atual governo de Netanyahu, em um contexto de aceleração da expansão das colônias israelenses e de legalização de postos avançados erguidos sem autorização oficial.
"Voltamos a Ganim e voltamos para ficar", declarou durante a cerimônia o ministro da Defesa, Israel Katz.
Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais segundo o direito internacional, em um território habitado por cerca de três milhões de palestinos.
if-yif-sct-mdh/hme/meb-jvb/am
I.Meyer--BTB