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Enviado de Trump se reúne com Hamas para promover plano de paz para Gaza
Uma delegação do Hamas se reuniu neste domingo (16), no Egito, com o enviado dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, que tenta impulsionar um plano de paz para Gaza.
O encontro ocorreu em um momento em que Washington tenta reduzir as divergências entre Israel e Hamas sobre a implementação do plano de paz promovido por Trump.
O Hamas aprovou no fim de julho um roteiro americano destinado a colocar em prática a segunda fase do plano, que prevê o desarmamento do movimento islamista e a retirada de Israel do território palestino.
No entanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou o texto e exigiu um "verdadeiro" desarmamento do Hamas.
Segundo fontes que pediram anonimato, Kushner e integrantes da delegação do Hamas se reuniram neste domingo no Egito. Fontes do movimento islamista também confirmaram o encontro.
Durante a reunião, o Hamas reafirmou seu compromisso com o plano de paz apoiado pelos EUA, segundo as fontes, e pediu ao Conselho da Paz e aos países mediadores que "obriguem a ocupação (...) a aprovar o roteiro da segunda fase do plano", de acordo com comunicado divulgado pelo grupo.
Kushner, por sua vez, insistiu no desarmamento total do movimento palestino e em sua exclusão de qualquer papel no futuro governo de Gaza, acrescentaram.
O enviado de Trump pediu provas “verificáveis” do desarmamento e que o território “não volte a ser uma fonte de terror para Israel”.
O movimento islamista palestino, que governa Gaza desde 2007, anunciou em julho a dissolução de sua administração civil e a intenção de transferir suas responsabilidades ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão criado pelo Conselho da Paz e composto por tecnocratas palestinos que deverão conduzir a transição no território.
Antes do encontro com o Hamas, Kushner havia se reunido com mediadores do Egito, Catar e Turquia e com Nickolay Mladenov, alto representante para Gaza do Conselho da Paz, criado por Trump para implementar o acordo, informou o governo egípcio.
- Israel mantém bombardeios -
Kushner também se reuniu com o presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi, enquanto o líder do Hamas, Jalil al Haya, se encontrou separadamente com o chefe dos serviços de inteligência egípcios, Hasan Rashad.
Durante anos, os Estados Unidos se recusaram a manter contatos com o Hamas, que classificam como organização terrorista e que liderou o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.
No entanto, o governo Trump tem demonstrado disposição cada vez maior para manter contatos diretos na tentativa de encerrar a guerra, após negociar o acordo de cessar-fogo de outubro que permitiu a libertação dos reféns israelenses que ainda estavam em Gaza.
Em um comunicado conjunto, oito países muçulmanos, entre eles Egito, Catar e Turquia, condenaram a rejeição israelense ao roteiro e afirmaram que a decisão colocava em risco "os esforços coletivos destinados a alcançar uma paz justa e duradoura".
Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo alcançado em outubro de 2025 no território palestino, devastado por dois anos de guerra.
Israel retomou os ataques aéreos em Gaza, e várias pessoas ficaram feridas neste domingo depois que aviões israelenses atacaram uma casa a oeste de Nuseirat, informou Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza.
O Exército israelense afirmou que respondia a uma ameaça de militantes da Jihad Islâmica.
As forças israelenses também abriram fogo contra várias tendas de deslocados a oeste de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, deixando vários feridos.
Ao menos 1.262 palestinos morreram em operações israelenses desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 10 de outubro, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas. A ONU considera esses dados confiáveis.
O Exército israelense registrou cinco mortes entre seus integrantes no mesmo período.
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M.Ouellet--BTB