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Eclipse solar escurece os confins da Rússia e segue em direção à Espanha
Os confins do Ártico russo escureceram nesta quarta-feira (12), no início de um incomum eclipse solar total que atravessará boa parte da Espanha e fará milhões de europeus e entusiastas do mundo todo olharem para o céu.
Pouco antes das 17h GMT (14h de Brasília), esse fenômeno astronômico começou no extremo setentrional da Rússia, anunciou a agência espacial Roscosmos, antes de cruzar o hemisfério norte e passar sobre a Groenlândia e o Atlântico.
Além de uma parte da Islândia, o eclipse vai cruzar na diagonal a Espanha, do noroeste atlântico até as ilhas Baleares, no Mediterrâneo, onde deve desaparecer por volta das 18h30 GMT (15h30 de Brasília).
Em Burgos, ao norte de Madri, terraços lotados refletiam a expectativa que tomou conta da cidade, que mergulhará brevemente na escuridão durante o eclipse.
"É a primeira vez e também a última, a única vez que vou ver um eclipse", diz, entusiasmada, Yenny Guevara, peruana de 50 anos, que veio da França para assistir a este acontecimento "excepcional".
Fora desta faixa diagonal, o fenômeno será parcial, como ocorrerá na França, Canadá, África Ocidental e Estados Unidos.
- Aves revoam, cachorros latem -
Quando a Lua oculta o Sol completamente, cria-se uma escuridão inquietante e as temperaturas caem. Desorientados, os animais se comportam de forma incomum.
"As aves começam a revoar por todas as partes, os cães começam a latir. Essa reação da natureza é um dos grandes indicativos da totalidade", explicou à AFP o astrofísico britânico Graham Jones, que estudará o eclipse no pequeno povoado de Fontanil de los Oteros, no norte da Espanha.
O espetáculo será fugaz. A fase de totalidade durará menos de dois minutos, no máximo, nas áreas mais afortunadas para vê-lo.
Mas o fenômeno em seu conjunto, desde que a Lua comece a tapar o Sol até que volte a desaparecer, durará quase duas horas.
O evento dará aos cientistas uma oportunidade pouco comum de estudar a atmosfera do Sol e sua camada mais extensa, com a esperança de se aproximar dos segredos dos ventos solares e do campo magnético da estrela.
- "Uma vez na vida" -
O acaso astronômico recompensou partes da chamada "Espanha esvaziada", zonas do interior rurais e despovoadas, que terão os melhores pontos de observação e recebem nestes dias uma incomum enxurrada de visitantes.
Já Madri e Barcelona ficaram de fora do eclipse total, mas muitos moradores pegaram a estrada em busca da escuridão completa e provocaram engarrafamentos quilométricos em algumas rotas.
Fazia mais de um século que a Espanha peninsular não vivia um eclipse total. E, embora o país vá presenciar outro em menos de um ano, muitos não quiseram deixar passar a oportunidade.
Mercedes Búa, por exemplo, convenceu o pai, de 81 anos, que se locomove em cadeira de rodas, a viajar cerca de 30 km ao norte de Madri, até Colmenar Viejo, onde o eclipse será total.
"Eu queria ficar em casa porque sou uma pessoa com deficiência, mas minha filha insistiu que tinha que me trazer, e aqui estou", afirma o pai, Antonio. "Não há dúvida de que, se é algo que se pode viver, está bom".
No porto de Tarragona, uma das principais cidades catalãs onde o fenômeno será visível, alguns vinham de mais longe, como Pauline Robert, uma estudante francesa que passou mais de três horas na estrada.
"É emocionante e só acontece uma vez na vida", afirma.
Paolo Boschetti, um analista de sistemas de 50 anos, veio da Itália com a família e seu grande telescópio, que já estava apontado para o Sol.
"Viemos para ver o eclipse e depois Barcelona e Tarragona", conta Boschetti, ansioso para experimentar o "dark total".
- "Noite mais curta" -
Também em Reykjavik, a capital islandesa que não vivia esse fenômeno desde 1433, milhares de pessoas se preparavam para se reunir em diferentes pontos.
Entre elas estava o popular divulgador científico e astrônomo Saevar Helgi Bragason, que disse à AFP que estava há "mais de dez anos esperando" para contemplar "a noite mais curta, repentina, bela, única e, tomara, mais memorável de nossas vidas".
A febre pelo eclipse tomou conta de muitos europeus, que se apressaram para conseguir, na última hora, óculos para observá-lo com segurança, esgotados em muitos estabelecimentos.
Segundo destino turístico mundial, a Espanha espera que o eclipse tenha um impacto favorável em sua economia.
O Ministério da Economia prevê uma contribuição líquida de cerca de 400 milhões de dólares (R$ 2,06 bilhões) e quase 450 mil turistas adicionais nas principais regiões.
Mas o esperado afluxo de turistas, especialmente em lugares pouco acostumados a recebê-los, também gerou preocupação entre as autoridades, que pediram prudência.
As temperaturas vão ultrapassar os 35°C na maior parte da Espanha, chegando inclusive aos 40°C em algumas zonas, e o risco de incêndio é "muito alto" ou "extremo" em grande parte do país, marcado pelas chamas neste verão.
burx-imm-rs/arm-meb-dbh/jvb/dbh/ahg/jc/am
J.Bergmann--BTB