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Fiéis muçulmanos iniciam peregrinação anual a Meca sob forte calor
Mais de um milhão de fiéis muçulmanos iniciaram nesta quarta-feira (4) os rituais da grande peregrinação anual a Meca, com as autoridades mobilizadas para evitar a repetição da tragédia do ano passado, quando mais de 1.300 peregrinos morreram devido ao calor extremo.
Reunidos na cidade sagrada do islã com temperaturas próximas aos 40ºC, os peregrinos começaram com o ritual do 'tawaf', que consiste em dar voltas ao redor da Kaaba, a estrutura cúbica preta para a qual convergem muçulmanos de todo o mundo para rezar, no coração da Grande Mesquita de Meca.
Outros chegaram a Mina, um vale a poucos quilômetros de Meca, segundo a agência oficial saudita de notícias SPA. Os fiéis passarão a noite em tendas climatizadas, antes de subir na quinta-feira ao monte Arafat, uma colina a 20 km de Meca, onde se acredita que o profeta Maomé pronunciou seu último sermão.
Quase 1,4 milhão de fiéis estão na Arábia Saudita para o hajj, que consiste em uma série de rituais previstos para vários dias no coração de Meca e suas imediações.
A peregrinação, um dos maiores encontros religiosos do mundo, é um dos cinco pilares do islã. Todo muçulmano que tenha recursos para tal deve cumprir o hajj pelo menos uma vez na vida.
As autoridades adotaram uma série de medidas para prevenir os efeitos nocivos do calor saudita e evitar a tragédia de 2024, quando mais de 1.300 fiéis faleceram sob temperaturas que alcançaram 51,8ºC.
- "Um sentimento incrível" -
Antes de entrar em Meca, os peregrinos devem atingir um estado de pureza, chamado em árabe 'ihram', que exige vestimentas adequadas.
Os homens usam uma roupa branca sem costuras, que simboliza a unidade entre os fiéis, independente de seu status social e nacionalidade. As mulheres devem usar roupas largas e brancas, que deixam à mostra apenas o rosto e as mãos.
"Estou muito feliz, é um sentimento incrível", disse Rim al Shogri, uma saudita de 35 anos que cumpre o hajj pela primeira vez.
A rica monarquia petrolífera mobilizou mais de 40 agências governamentais e 250.000 funcionários para tentar atenuar os riscos vinculados ao forte calor.
As áreas de sombra foram ampliadas em 50.000 metros quadrados e milhares de socorristas adicionais foram mobilizados. Também serão instalados mais de 400 pontos de hidratação, segundo o Ministério do Hajj.
- Hajj 2.0 -
As autoridades sauditas também utilizarão as técnicas mais recentes de Inteligência Artificial (IA) para tratar as imagens fornecidas por uma frota de drones em Meca. A gestão da multidão é um exercício delicado: em 2015, quase 2.300 pessoas morreram em um tumulto.
Segundo as autoridades do reino, 83% dos 1.301 peregrinos falecidos em 2024 não tinham a permissão oficial para fazer a peregrinação, que é paga e concedida por cotas, segundo os países.
Sem a permissão oficial, os peregrinos irregulares não tiveram acesso às instalações climatizadas disponibilizadas para tornar a semana mais suportável.
Para a atual edição, o governo saudita criou uma intensa campanha de comunicação, com painéis publicitários e SMS, para recordar que aqueles que fazem a peregrinação sem a devida autorização podem ser multados em 5.300 dólares (29.900 reais) e impedidos de visitar o país por 10 anos.
A Arábia Saudita abriga as cidades sagradas de Meca e Medina, onde o profeta Maomé pregou, e a cada ano arrecada bilhões de dólares com o hajj e as peregrinações menores conhecidas como 'umrah', realizadas em outros momentos do ano.
D.Schneider--BTB