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Ícone do pop francês Patrick Bruel é acusado de estupro e agressão sexual
O ícone do pop francês Patrick Bruel foi indiciado nesta quarta-feira (10) por estupro e agressão sexual, depois que quase duas dezenas de mulheres o denunciaram, algumas com acusações que remontam à década de 1990.
O cantor de 67 anos, há décadas um dos artistas mais conhecidos da França, com milhões de discos vendidos, nega todas as acusações.
Trata-se de um novo caso envolvendo uma celebridade francesa sob investigação da Justiça na esteira do movimento #MeToo, depois que, no ano passado, a lenda do cinema francês Gérard Depardieu foi condenada a 18 meses de prisão com pena suspensa por agredir sexualmente duas mulheres durante uma filmagem.
Bruel passou 48 horas sob custódia após ser detido na segunda-feira em Paris para prestar depoimento.
Um juiz do subúrbio parisiense de Nanterre informou que o artista foi formalmente indiciado por estupro, tentativa de estupro, agressão sexual e assédio sexual.
Anteriormente, a Promotoria de Nanterre havia informado que as acusações se referiam a nove vítimas e a incidentes ocorridos entre 2010 e 2019.
A promotoria acrescentou que as denúncias de outras 13 pessoas, que o acusam de estupro, tentativa de estupro, agressão sexual e assédio sexual entre 1992 e 2008, foram incorporadas ao processo encaminhado aos juízes de instrução, mas podem estar prescritas.
A promotoria solicitou que Bruel seja colocado em prisão preventiva.
Bruel proclamou sua inocência no mês passado. "Jamais obriguei uma mulher", afirmou em uma publicação no Instagram.
Posteriormente, diante do surgimento de novas acusações, cancelou todos os seus shows até setembro.
Os advogados do artista, Céline Lasek, Fanny Colin e Christophe Ingrain, explicaram na segunda-feira que "há várias semanas (Bruel) informou que estava à disposição da Justiça, para finalmente poder prestar esclarecimentos no âmbito do processo judicial perante a autoridade competente".
- "Primeira vitória judicial" -
Entre as acusadoras está Daniela Elstner, atual diretora da Unifrance, entidade responsável por promover o cinema francês no exterior.
Em março, ela acusou formalmente Bruel de tentativa de estupro durante um festival de cinema no México, em 1997, quando tinha 26 anos e trabalhava como assistente na Unifrance.
"É uma autêntica primeira vitória judicial para as vítimas", declarou à AFP sua advogada, Jade Dousselin, após os promotores solicitarem a formalização das acusações.
"Quando vi 9 de 13, fiquei um pouco assustada, mas minhas duas clientes fazem parte da lista de vítimas. Vamos poder trabalhar com a Justiça", afirmou, por sua vez, a advogada Myriam Guedj-Benayoun, que representa duas mulheres que acusam Bruel de violência sexual em Bruxelas, em 2010, e na região francesa de Vaucluse, em 2015.
Embora tenha iniciado a carreira no cinema, Bruel, nascido na Argélia em 1959, alcançou a fama como cantor em 1984 e, desde então, gravou cerca de uma dezena de álbuns de estúdio.
O artista, um dos rostos mais conhecidos da música francesa, casou-se aos 45 anos com a escritora Amanda Sthers, mas a união terminou após três anos e o nascimento de dois filhos.
Bruel, dono de um sorriso carismático, às vezes brincava com sua imagem de sedutor, inclusive em entrevistas. "Sou fácil de seduzir, não sou fácil de manter", disse certa vez.
Além de sua carreira na música e no cinema, o artista também é um experiente jogador de pôquer e, em 1998, conquistou um título mundial da modalidade.
I.Meyer--BTB