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Presos no Equador libertam 57 guardas e policiais mantidos reféns
Prisioneiros de seis penitenciárias no Equador libertaram quase 60 guardas e policiais que haviam sido mantidos reféns após uma ação de gangues de narcotráfico que usam as prisões como centros de operações em um país cada vez mais violento.
Os 50 agentes e sete policiais "já foram libertados, passaram por avaliações médicas para verificar seu estado de saúde e estão em segurança", disse o órgão estatal responsável pelas prisões (Snai).
As autoridades relataram as retenções dos uniformizados na quinta-feira, mas não se sabe por quanto tempo eles estiveram sob o controle dos detentos e em quais prisões.
A violência do narcotráfico prevalece dentro e fora das grades. Entre quarta e quinta-feira, dois carros-bomba explodiram em Quito, visando o Snai.
Ambos os incidentes são retaliações pelas contínuas transferências de prisioneiros realizadas pelas autoridades e as intervenções em busca de armas e drogas, de acordo com o governo.
"As medidas que tomamos, especialmente no sistema penitenciário, geraram reações violentas das organizações criminosas que tentam intimidar o Estado", afirmou o presidente Guillermo Lasso na rede X, antigo Twitter.
Localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador havia conseguido evitar a violência das máfias. Mas nos últimos anos, gangues aliadas a cartéis mexicanos e colombianos têm imposto o terror. Desde 2018, a taxa nacional de homicídios quadruplicou.
As autoridades mantêm sigilo sobre o que está acontecendo nas prisões e ainda não determinaram se foi ou não uma ação coordenada.
A libertação ocorreu por meio de uma ação coordenada com soldados e policiais, segundo o Snai.
- Magnicídio -
A um mês do segundo turno que escolherá o futuro presidente do Equador, a violência recrudesce. A campanha presidencial foi marcada pelo assassinato a tiros de um dos candidatos favoritos, o jornalista Fernando Villavicencio, em 9 de agosto, em Quito.
As autoridades tentam freá-la exercendo pressão nas prisões: transferências de presos a penitenciárias de segurança máxima, separação de grupos rivais para evitar brigas, inspeção de celas e divisão das facções criminosas.
Os seis presos pelo magnicídio foram transferidos de presídio na última quarta-feira. Segundo o governo, isso pode ter sido um dos detonadores dos atentados com carros-bomba e dos ataques com granadas que se seguiram à explosão.
"Mas estamos firmes e não vamos retroceder no objetivo de capturar criminosos perigosos, desarticular facções criminosas e pacificar as prisões do país", assegurou Lasso.
Vários agentes penitenciários estavam retidos no presídio da cidade andina de Cuenca (sul).
Durante a manhã desta sexta-feira, militares e policiais cercavam a prisão, enquanto no telhado três presos pediam aos gritos que os militares recuassem se quisessem a libertação dos reféns, constatou um jornalista da AFP nesta sexta-feira.
Um deles, vestindo um pijama branco com desenhos infantis, falava por um walkie-talkie.
- Militarização das prisões -
Os repetidos massacres carcerários levaram Lasso a decretar em 24 de julho estado de exceção em todo o sistema penitenciário por 60 dias, a fim de enviar militares às prisões. Mas a presença de soldados esticou ainda mais a corda, concordam especialistas.
Horas antes dos atentados com carro-bomba, centenas de militares realizaram uma operação de busca de armas, munições e explosivos em um presídio na cidade andina de Latacunga (sul), uma das principais do país e cenário de confrontos mortais entre os reclusos.
Uma segunda hipótese do governo é que essa intervenção enfureceu as facções.
A crise carcerária está no centro da campanha presidencial para o segundo turno, que será disputado em 15 de outubro entre a esquerdista Luisa González e o direitista Daniel Noboa.
Filho de um milionário, Noboa propõe criar um sistema de navios-prisões em alto-mar para isolar os presos e desligá-los de suas facções criminosas.
- Massacres de presos -
Transformadas em centros de operações do narcotráfico, as prisões equatorianas têm sido cenário de massacres que já deixaram mais de 430 detentos mortos desde 2021, dezenas deles esquartejados e carbonizados.
Um comitê de pacificação criado por Lasso classificou as prisões de "armazéns de seres humanos e centros de tortura".
No Equador, há 36 prisões para 32.200 reclusos e a população carcerária está em torno de 31.300 presos. A metade cumpre pena por tráfico de drogas, estopim da violência.
Em 2021, o número de presos subiu para 39.000, mas os massacres levaram o governo a conceder indultos e benefícios para descongestionar os presídios.
Atualmente, mais da metade dos presos compartilham as celas com até cinco pessoas e há celas com mais de 15 detentos.
P.Anderson--BTB