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Tempestade Leonardo provoca enchentes e deslocamentos em Portugal e Espanha
A tempestade Leonardo continua afetando a Península Ibérica, nesta quinta-feira (5), com chuvas que provocaram enchentes e desalojaram milhares de pessoas no sul de Espanha, além de acenderem o alerta vermelho em Portugal.
Uma pessoa morreu em Portugal e uma mulher está desaparecida após ter caído em um rio no sul da Espanha, indicaram as forças de segurança.
A Península Ibérica está na linha da frente das mudanças climáticas e há anos registra ondas de calor cada vez mais longas, que começam antes mesmo do verão, e episódios de chuvas intensas cada vez mais frequentes.
A tempestade Leonardo é a sexta deste tipo desde o início de 2026, há apenas um mês, segundo a agência estatal de meteorologia espanhola, Aemet.
Em Portugal, o risco de inundações devido à subida do rio Tejo “passou ao nível vermelho, seu nível máximo” no distrito de Santarém, indicou à AFP a Defesa Civil. Autoridades municipais determinaram a “evacuação obrigatória” das zonas próximas no prazo de sete horas.
Em Alcácer do Sal, a cem quilômetros de Lisboa, o rio Sado transbordou, alagando as ruas do centro e obrigando à retirada de cerca de cem habitantes, constataram jornalistas da AFP.
A situação “é muito, muito ruim. Não pregamos o olho” durante toda a noite, “entre o vento e as imagens do que está acontecendo, é realmente demais”, afirmou Anabela Costa, empregada doméstica de 68 anos que reside na localidade.
“Desde 1997 não vivíamos uma situação assim na bacia do Tejo”, destacou o comandante nacional da Defesa Civil, Mário Silvestre, em conferência de imprensa
- "Impressionante" -
“É impressionante!”, descreveu na região o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa. A prefeita de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, afirmou que não lembra de já ter visto um temporal assim no município de 11.000 habitantes.
O segundo turno das eleições presidenciais, que Portugal celebra este domingo, será adiado em Alcácer do Sal, indicou Campos.
Uma semana após a passagem devastadora da tempestade Kristin, que causou cinco mortes no país, 76.000 clientes continuam sem eletricidade.
Na Espanha, a região serrana de Grazalema recebeu em “quase 16 horas (...) a mesma quantidade de chuva que cai na Comunidade de Madri em um ano”, destacou o presidente regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, destacando tempestades “nunca antes vistas”.
Este ano foge ao normal, afirmou. “Nos meses de janeiro e fevereiro, sempre tivemos o anticiclone dos Açores, que atua como um dique de contenção na Andaluzia, onde costumamos ter sol no inverno”, recordou.
Em municípios como Grazalema, a 800 metros de altitude, as autoridades temem que a água acumulada no solo possa provocar deslizamentos de terra.
- "Dias complicados" -
A cerca de 170 km a leste, em Dúdar, um rio transbordou completamente, inundando os arredores com água barrenta e obrigando os moradores a deixar suas casas, constatou um jornalista da AFP.
"São dias complicados, são dias difíceis", afirmou o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, durante um ato em Bilbao.
A agência estatal de meteorologia espanhola desativou nesta quinta-feira o alerta vermelho acionado na véspera em algumas zonas, embora tenha mantido avisos laranja (o segundo nível mais alto) na Andaluzia, muitos por ventos fortes.
A Guarda Civil continua procurando uma mulher que caiu em um rio a cerca de 50 quilômetros de Málaga.
As aulas foram retomadas nesta quinta-feira em grande parte da Andaluzia, mas continuavam suspensas nos locais mais afetados pelo temporal, como na região serrana.
Rodovias e o serviço ferroviário seguem bloqueados em vários pontos do sul. Deslocamentos preventivos afetavam cerca de 4.000 pessoas nesta quinta-feira na Andaluzia, segundo as autoridades.
L.Dubois--BTB