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Ameaças de novas enchentes prolongam o drama no Rio Grande do Sul
Novas cheias em rios e lagos após o forte temporal do fim de semana no Rio Grande do Sul mantêm, nesta segunda-feira (13), a pressão para colocar a população ameaçada em segurança, em um "drama sem fim", segundo as autoridades.
O número de vítimas da catástrofe climática que atinge o estado desde o início do mês não para de aumentar. Segundo um último balanço da Defesa Civil, as enchentes deixaram 147 mortos, 127 desaparecidos e 806 feridos.
As chuvas diminuíram nesta segunda, mas o governador Eduardo Leite (PSDB), pediu aos evacuados que não voltem para suas casas, em especial em Porto Alegre e arredores, onde o rio Guaíba pode alcançar um novo recorde.
"Não é hora de voltar para casa ainda nas áreas de risco", alertou em uma coletiva de imprensa.
O nível do rio, em cujas margens se situam várias cidades devastadas, pode superar o pico histórico de 5,35 metros alcançados em 5 de maio e chegar a 5,6 metros nos próximos dias, disse a Defesa Civil.
A agência meteorológica MetSul alertou, nesta segunda, sobre a chegada de uma frente fria ao Rio Grande do Sul, que complicará a situação dos evacuados.
"Estamos vivendo a continuidade de uma situação dramática sem fim aqui no Rio Grande do Sul desde o final de abril, quando começaram essas chuvas torrenciais", disse o vice-governador Gabriel Souza (MDB) à TV Globo.
O desastre, que especialistas e o governo brasileiro vinculam à mudança climática e ao fenômeno El Niño, obrigou mais de 600.000 pessoas a deixarem suas casas.
Destas, quase 81.000 estão em abrigos montados em escolas, clubes e outros estabelecimentos.
As autoridades trabalham para distribuir suprimentos e doações enviadas de todo o país e do exterior entre os desabrigados e nos abrigos.
Leite disse que essa é a maior operação logística da história do estado.
- Ajuda a indígenas -
A vida no estado mudou abruptamente, com quase 360.000 estudantes sem aulas e o atendimento médico sendo realizado em hospitais de campanha.
Importantes autoestradas e rodovias continuam total ou parcialmente bloqueadas. Jornalistas da AFP constataram o bloqueio de uma via de acesso a Lajeado, na região do Vale do Taquari, fortemente atingida no centro do estado.
O aeroporto internacional Salgado Filho, que atende Porto Alegre, segue debaixo d'água.
As chuvas e enchentes sem precedentes afetaram diretamente pelo menos 80 comunidades indígenas, algumas de forma extremamente grave, segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
A Defesa Civil disse que entregou cestas básicas e água potável a três comunidades indígenas do Vale do Taquari para 240 famílias, segundo um comunicado.
- Lula suspende viagem ao Chile -
A Presidência informou, em nota, que a viagem foi adiada "pela necessidade de acompanhamento da situação das enchentes no Rio Grande do Sul e de coordenação no atendimento à população afetada e nas tarefas de reconstrução".
O comunicado, porém, não divulgou uma nova data para a viagem.
B.Shevchenko--BTB