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Netanyahu reverte decisão sobre novo chefe de segurança israelense, sob pressão dos EUA
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta terça-feira (1º) que reconsiderou sua decisão sobre o novo chefe do serviço de segurança interna Shin Bet, após críticas ao seu candidato, principalmente por parte de um influente senador dos Estados Unidos.
Em 21 de março, Netanyahu demitiu o atual chefe do Shin Bet, Ronen Bar, por "falta de confiança", mas a Suprema Corte suspendeu a decisão até 8 de abril para analisar os recursos contra a sua demissão.
No entanto, o primeiro-ministro insiste que cabe ao seu governo decidir quem chefia a agência de segurança interna e, na segunda-feira, anunciou a nomeação do vice-almirante Eli Sharvit como o novo chefe do Shin Bet.
Porém, nesta terça-feira, apenas um dia depois, Netanyahu informou ao vice-almirante que "após novas considerações, pretende examinar outros candidatos", segundo um comunicado de seu gabinete.
A nomeação de Sharvit, ex-comandante da Marinha israelense, foi descrita como "mais do que problemática" pelo senador republicano Lindsey Graham, próximo do presidente Donald Trump.
"Meu conselho aos meus amigos israelenses é que mudem de rumo", escreveu Graham no X, observando que algumas "declarações" do vice-almirante Sharvit "sobre o presidente Trump e suas políticas [certamente criarão] tensões desnecessárias".
Em 23 de janeiro, dois dias após o retorno de Trump à Casa Branca, Sharvit publicou um artigo em um jornal econômico israelense criticando a campanha do presidente americano em prol dos combustíveis fósseis no contexto do aquecimento global.
Poucas horas após o anúncio de sua nomeação como chefe do Shin Bet, vários veículos de comunicação israelenses relataram que Sharvit estava entre as dezenas de milhares de israelenses que foram às ruas em 2023 para se opor às tentativas do governo Netanyahu de reformar o sistema judicial.
Segundo a mídia, o militar também apoiou o acordo de demarcação da fronteira marítima entre Israel e o Líbano, que o governo anterior assinou em 2022 e contra o qual Netanyahu fez campanha.
A decisão de demitir Ronen Bar desencadeou uma série de protestos em Israel, nos quais a opinião pública denunciou uma guinada autoritária de Netanyahu.
A relação de Bar com o primeiro-ministro foi afetada depois que o chefe do Shin Bet culpou o governo pelo fiasco de segurança em torno dos ataques do Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023.
Essa relação se deteriorou ainda mais com uma investigação do Shin Bet sobre supostos pagamentos a Netanyahu recebidos do Catar.
J.Bergmann--BTB