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Procuradora-geral de Israel aponta 'conflito de interesses' na destituição do chefe de segurança
A procuradora-geral de Israel, Gali Baharav-Miara, considerou, nesta sexta-feira (4), que a decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de destituir o chefe do Shin Bet, o serviço de segurança interno, está "viciada por um conflito de interesses".
"A decisão de pôr fim ao mandato do chefe do Shin Bet é fundamentalmente errônea, viciada por um conflito de interesses pessoais por parte do primeiro-ministro devido às investigações criminais que afetam o seu entorno", e levará à "politização" do cargo, escreveu ela em um comunicado.
Baharav-Miara publicou neste documento a declaração que apresentou à Suprema Corte israelense, na qual argumenta suas conclusões.
O comunicado foi divulgado junto com uma declaração feita ao tribunal pelo diretor do Shin Bet destituído por Netanyahu, Ronen Bar.
Na carta, Bar alegou que o premiê lhe pediu que interviesse para adiar sua presença no julgamento contra ele por acusações de corrupção.
"Em novembro de 2024, o primeiro-ministro me pediu repetidamente para emitir uma avaliação de segurança declarando que as condições de segurança não permitem que ele testemunhe de forma contínua em seu julgamento criminal", o que poderia prolongar os intervalos entre as aparições, disse Bar.
"Depois que consegui discutir o assunto com órgãos profissionais, cheguei à conclusão de que não havia risco de segurança para o primeiro-ministro comparecer ao seu julgamento", escreveu ele na carta que visava contestar sua destituição.
Bar disse que, quando informou ao Netanyahu e este se recusou a atender ao seu pedido, sentiu que "uma falta de confiança" entre os dois.
O primeiro-ministro de Israel anunciou a destituição de Bar em 21 de março, alegando "falta de confiança" no funcionário da Inteligência.
Esta decisão foi suspensa pela Suprema Corte, que deverá considerar, em 8 de abril, os recursos apresentados pela oposição e pela procuradora-geral contra a demissão.
Netanyahu, que está em visita à Hungria, disse por meio de nota que a carta de Bar é "cheia de mentiras".
A relação do alto funcionário de Inteligência com o primeiro-ministro foi afetada depois que Bar culpou o governo pela falha de segurança nos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 contra Israel.
A oposição e uma ONG acreditam que a decisão do governo é motivada pelo desejo do premiê israelense de se livrar do chefe do Shin Bet, que dirigiu uma investigação sobre supostos pagamentos do Catar, que levou dois de seus colaboradores para a prisão.
M.Ouellet--BTB