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Trump recebe Bukele para fortalecer amizade e pacto migratório
Donald Trump receberá na Casa Branca, nesta segunda-feira (14), seu melhor amigo da América Latina, o presidente salvadorenho Nayib Bukele, que tem sido uma figura-chave desde que concordou em prender os migrantes expulsos dos Estados Unidos em troca de dinheiro.
Toda vez que um jornalista menciona Bukele, o presidente americano e os membros de seu gabinete o cobrem de elogios.
Em sua plataforma Truth Social, o republicano declarou neste fim de semana que está "ansioso" pelo encontro. "O presidente Bukele generosamente aceitou sob sua custódia alguns dos inimigos estrangeiros mais violentos do mundo", escreveu ele.
Desde meados de março, o magnata expulsou mais de 250 migrantes, a grande maioria venezuelanos, para o país centro-americano, invocando a Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798, que até então só era usada em tempos de guerra.
Os últimos 10 chegaram neste fim de semana, de acordo com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Para o primeiro grupo, de mais de 200 migrantes, Washington pagou "aproximadamente seis milhões de dólares (35,2 milhões de reais)", de acordo com a Casa Branca. O custo de prendê-los em uma megaprisão com uma reputação notória de violar os padrões dos direitos humanos.
As deportações abriram uma frente judicial porque Washington acusa os migrantes de pertencerem à organização criminosa venezuelana Tren de Aragua ou à gangue MS-13, sem fornecer provas.
Até agora, o governo reconheceu ter expulsado o salvadorenho Kilmar Ábrego García devido a um "erro administrativo", mas dribla os juízes que pediram seu retorno.
- "Presidente B" -
O futuro dos deportados "depende do presidente B e de sua administração", declarou Trump em sua plataforma.
Há confiança no acordo. O líder da maior potência mundial chama Bukele de "presidente B", que certa vez se descreveu como "the world's coolest dictator" ('o ditador mais legal do mundo', em tradução livre)" para se defender daqueles que o acusam de autoritarismo.
Em sua conta da rede X, a assessoria de imprensa da Presidência salvadorenha se gaba de que El Salvador se posiciona como um "aliado estratégico" dos Estados Unidos na América Central.
Ele será o primeiro presidente latino-americano a pisar no Salão Oval da Casa Branca no segundo mandato de Trump, que recebeu outros líderes apenas em sua residência particular na Flórida.
A reunião acontece em meio à tempestade tarifária de Trump, que não poupou El Salvador. O país paga o mínimo universal de 10% imposto por Washington a todos os seus parceiros para reduzir o déficit comercial, melhorar as finanças públicas e realocar muitas atividades industriais.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações salvadorenhas, especialmente roupas, capacitores elétricos, açúcar e café, de acordo com o Banco Central de El Salvador.
D.Schneider--BTB