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Violência deixa 14 mortos e dezenas de feridos na Colômbia
Um caminhão-bomba, drones e fuzis: a Colômbia teve um dia violento nesta quinta-feira (21), com dois ataques, que deixaram 14 mortos e dezenas de feridos, na pior ofensiva dos grupos armados na última década.
Por volta das 15h locais (17h de Brasília), um caminhão carregado de explosivos explodiu em uma rua movimentada de Cali, terceira cidade mais populosa do país. O ataque, contra uma escola de aviação militar, deixou 6 mortos e mais de 60 feridos, segundo a Defensoria do Povo. A Prefeitura ordenou a militarização da cidade.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostravam veículos em chamas, casas destruídas, pessoas feridas no chão e moradores fugindo em meio ao som de alarmes e gritos. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, responsabilizou a maior dissidência das Farc, conhecida como EMC, sob o comando de Iván Mordisco.
Mais cedo, no noroeste do país, outra facção rebelde, sob o comando de Calarcá, atacou um esquadrão da polícia que trabalhava em uma missão de erradicação de narcocultivos. Armados com fuzis e um drone, os rebeldes derrubaram um helicóptero e houve confrontos, em um ataque que deixou oito policiais mortos.
A violência se intensifica no país a um ano das eleições presidenciais. Em 11 de agosto, morreu o candidato favorito da direita, Miguel Uribe, após ser atingido com um tiro na cabeça em um atentado.
As duas dissidências envolvidas, que também se enfrentam, rejeitaram o acordo de paz assinado em 2016 com a maior parte das Farc.
- 'Ruído estrondoso' -
O caos reinava no norte de Cali na tarde de hoje. "Conseguimos ouvir o barulho estrondoso da explosão (...) Depois não se pôde passar, não se pôde ver nada, porque há muitos feridos, muitas casas danificadas em frente à base", disse à AFP Héctor Fabio Bolaños, 65 anos, reitor de uma escola vizinha, que precisou ser evacuada. "As crianças foram entregues a seus pais, porque vieram buscá-las por causa do susto."
A cidade, de 2,2 milhões de habitantes, é a mais importante da região do Pacífico e sofre uma ofensiva de guerrilhas e grupos narcotraficantes, que disputam o negócio da cocaína, que enviam para os Estados Unidos e a Europa.
O governo do esquerdista Gustavo Petro tentou negociar com o EMC, mas Mordisco abandonou as conversas em 2024. Já o grupo liderado por Calarcá permanece nas negociações, embora sem avanços concretos.
No começo de julho, houve vários ataques com explosivos e drones em Cali e seus arredores, em uma jornada que deixou sete mortos e aterrorizou moradores.
- 'Organizações terroristas' -
O acordo de paz de 2016 resultou em um período de tranquilidade, mas especialistas acusam o Estado de não ter chegado aos territórios onde os rebeldes das Farc atuavam, o que facilitou a consolidação de outros grupos armados.
Petro pediu no X "ao Estado colombiano e ao mundo" que classifiquem como "organizações terroristas" as duas dissidências envolvidas nos ataques de hoje, além do Clã do Golfo, maior cartel produtor de cocaína.
Desde que chegou ao poder, em 2022, o primeiro presidente de esquerda da história do país tenta negociar com todos os grupos armados, mas a maioria dos processos se encontra em ponto morto.
Somente avançam as negociações com o Clã do Golfo, no Catar, após várias tentativas fracassadas iniciadas em 2023. Também há conversas com uma pequena cisão da guerrilha ELN.
O ataque com drones e fuzis contra a polícia ocorreu no departamento de Antioquia, em meio a operações antinarcóticos no país que mais produz cocaína no mundo.
Imagens publicadas nas redes sociais mostram o helicóptero sobrevoando a região e, em seguida, um estrondo seguido da queda da aeronave. Em outras imagens, vê-se uma fumaça preta subindo da montanha.
O uso de drones carregados de explosivos é cada vez mais comum no conflito armado na Colômbia. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), as vítimas civis de artefatos explosivos dobraram nos primeiros meses de 2025, um número impulsionado pelo "uso intensivo" desses aparelhos.
A Colômbia registrou um recorde de 253 mil hectares de cultivo de folha de coca em 2023. Petro promove um plano de erradicação voluntária por parte dos camponeses por meio de incentivos econômicos.
K.Brown--BTB