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Afeganistão procura sobreviventes após terremoto que deixou mais de 900 mortos
As equipes de resgate procuravam sobreviventes nesta terça-feira (2) entre os escombros provocados pelo terremoto que devastou o leste do Afeganistão e deixou mais de 900 mortos.
O terremoto, de 6 graus de magnitude e seguido por pelo menos cinco tremores secundários, foi registrado por volta da meia-noite de domingo em áreas remotas das províncias montanhosas de Nangarhar, Kunar e Laghman, na fronteira com o Paquistão.
O diretor da Autoridade de Gestão de Desastres da província de Kunar, Ehsanullah Ehsan, declarou à AFP que "as operações prosseguiram durante toda a noite, não foram interrompidas".
Alguns vilarejos afetados continuam inacessíveis devido aos bloqueios nas estradas, informou à AFP a agência da ONU para migrações.
Os moradores de algumas localidades se uniram aos esforços de resgate, utilizando as próprias mãos para retirar os escombros das casas de barro e pedra construídas em vales íngremes.
Obaidullah Stoman, 26 anos, que viajou até o vilarejo de Wadir para procurar um amigo, ficou impressionado com o nível de destruição. "Estou procurando aqui, mas não o encontrei. Foi muito difícil ver as condições do local", disse à AFP.
Em outras localidades, as famílias enterraram os corpos, incluindo algumas crianças, envolvidos em sudários brancos, seguindo o rito muçulmano.
O epicentro do terremoto foi localizado a 27 quilômetros de Jalalabad, a capital da província de Nangarhar, e a apenas oito quilômetros de profundidade.
Terremotos relativamente superficiais podem provocar mais danos, em particular porque muitos afegãos vivem em casas de barro, vulneráveis ao desabamento.
Diante da tragédia, cinco milhões de dólares do fundo mundial de intervenção de emergência da ONU foram liberados, informou na segunda-feira o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
- Mais de 900 mortos -
Em um balanço provisório, as autoridades talibãs informaram que entre 900 e 950 morreram e 3.000 ficaram feridas na província de Kunar. Além disso, 12 pessoas faleceram e 255 ficaram feridas em Nangarhar.
A região de Laghman também registrou dezenas de feridos, segundo o porta-voz do governo, Zabihullah Mujahid.
O Afeganistão registra terremotos com frequência, em particular na cordilheira de Hindu Kush, perto da união das placas tectônicas eurasiática e indiana.
Desde o ano 1900, o nordeste do país sofreu 12 terremotos de magnitude superior a 7 graus, segundo Brian Baptie, sismólogo do serviço geológico britânico.
Após seu retorno ao poder em 2021, os talibãs enfrentaram outro terremoto de grande magnitude na região de Herat, no outro extremo do Afeganistão, na fronteira com o Irã.
Mais de 1.500 pessoas morreram e mais de 63.000 residências foram destruídas pelo tremor de 6,3 graus de magnitude em 2023.
Após décadas de conflito, o Afeganistão é um dos países mais pobres do mundo e enfrenta uma prolongada crise humanitária, incluindo a chegada de milhões de cidadãos que foram obrigados a retornar ao país por seus vizinhos Paquistão e Irã nos últimos anos.
A ajuda estrangeira ao país foi drasticamente reduzida, o que prejudicou a capacidade da nação de responder às catástrofes.
O governo dos Estados Unidos foi o maior doador até o início de 2025, quando todos os fundos foram cancelados, exceto uma pequena parte, após a chegada ao poder do presidente Donald Trump.
C.Meier--BTB