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Papa diz não ter 'medo' de Trump e ressalta 'dever moral' de se posicionar contra guerra
O papa Leão XIV declarou, nesta segunda-feira (13), no primeiro dia de uma visita histórica à Argélia, que não teme as críticas do presidente americano, Donald Trump, e reivindicou seu "dever moral" de se pronunciar contra a guerra no Oriente Médio.
Pouco antes de partir de Roma, o pontífice, nascido nos Estados Unidos, se tornou alvo de duras críticas por parte de Trump, que atacou seus comentários pedindo o fim da guerra com o Irã.
"Não tenho medo, nem do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho", afirmou o líder da Igreja Católica aos jornalistas a bordo do avião papal que o levou à Argélia.
"Acho que a Igreja tem o dever moral de se pronunciar com total clareza contra a guerra e a favor da paz e da reconciliação", afirmou, embora tenha reiterado que não se considera um "político" e que não tem a intenção de "entrar em um debate" com o presidente americano.
Trump disse no domingo que não era "um grande fã" de Leão XIV, acusando o pontífice de "brincar com um país (Irã) que quer uma arma nuclear".
Em sua plataforma, Truth Social, o republicano qualificou o papa como "FRACO em matéria de crime e péssimo para a política externa", sugerindo que os cardeais só o elegeram em maio de 2025 devido à sua nacionalidade americana e a uma possível ligação a Washington.
Trump também publicou uma imagem gerada por inteligência artificial que aparentemente representa a si próprio como Jesus Cristo, a qual apagou posteriormente depois da polêmica.
Após as declarações de Leão XIV, ele se recusou a pedir desculpas e voltou a chamá-lo de "fraco".
Por sua vez, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, qualificou como "inaceitáveis" as palavras de Trump. "O papa é o chefe da Igreja Católica, e é justo e normal que peça a paz e condene todas as formas de guerra", afirmou a premiê em um comunicado.
- "Perdão" -
Em meio à polêmica, o pontífice foi recebido com honras em sua chegada a Argel.
No primeiro dia de sua visita de dois dias, prestou homenagem, diante do monumento aos mártires em Argel, às vítimas da guerra de independência do país contra a França (1954-1962).
Com tempo chuvoso, depositou uma coroa de rosas brancas antes de permanecer em silêncio por alguns instantes.
A "paz que permite vislumbrar o futuro com um espírito reconciliado só é possível por meio do perdão", disse em inglês, instando a "não acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração".
Diante do presidente da Argélia, Abdelmadjid Tebboune, das autoridades e do corpo diplomático, Leão XIV convidou também aos responsáveis do país a promover "uma sociedade civil viva, dinâmica e livre".
Desde o movimento pró-democracia (chamado Hirak) de 2019, que reivindicava reformas profundas e maior transparência, as autoridades argelinas reforçaram o seu controle sobre o espaço público, segundo as organizações de defesa dos direitos humanos.
À tarde, o papa visitou a Grande Mesquita, complexo monumental com o minarete mais alto do mundo (267 metros), antes de dirigir-se à basílica de Nossa Senhora da África.
Este templo simboliza "uma Igreja feita de pedras vivas" onde "se constrói a comunhão entre cristãos e muçulmanos", disse o pontífice durante uma celebração de caráter inter-religioso.
O islã sunita é a religião de Estado na Argélia, onde os católicos representam menos de 0,01% dos 47 milhões de habitantes.
O papa também visitou de maneira privada a capela dos 19 "mártires da Argélia", padres e religiosos assassinados durante a década de guerra civil (1992-2002).
A visita à Argélia marca o início da primeira grande viagem internacional do papa de 70 anos, que também passará por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, uma maratona de 18.000 quilômetros com uma agenda intensa de 13 a 23 de abril.
T.Bondarenko--BTB