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Delegação do governo talibã negocia com UE a repatriação de afegãos
Representantes do governo talibã negociaram com a União Europeia (UE), nesta terça-feira (23), em Bruxelas, a possível repatriação de imigrantes afegãos, apesar das fortes críticas de organizações não governamentais.
O governo talibã voltou ao poder em 2021, após 20 anos de guerra e a retirada precipitada das forças americanas do Afeganistão. Desde então, nunca foi reconhecido pela UE.
"As reuniões foram construtivas e espera-se que levem a desenvolvimentos positivos", disse um funcionário afegão que pediu para permanecer anônimo.
Markus Lammert, porta-voz da Comissão Europeia, confirmou esta reunião "técnica" entre representantes de países europeus e as "autoridades afegãs de fato, responsáveis pelo retorno e readmissão" dos imigrantes.
Alguns países da UE querem priorizar o retorno ao Afeganistão de "indivíduos que representam uma ameaça à segurança e criminosos que cometeram crimes graves", segundo Bruxelas.
Cerca de quinze Estados-membros participaram desta reunião, "o que permitiu dar seguimento às discussões técnicas que ocorreram em Cabul em janeiro de 2026, particularmente no que diz respeito à identificação dos repatriados, à emissão de documentos de viagem e ao seu retorno", explicou Lammert.
Os países da UE receberam quase um milhão de pedidos de asilo de afegãos entre 2013 e 2024, segundo a agência de estatísticas do bloco. Cerca de metade foi aprovada.
"Não vamos reconhecer o regime talibã, de forma alguma, mas acredito que ainda assim é importante falar com eles", afirmou o comissário europeu de Migração, Magnus Brunner.
A ativista Malala Yousafzai disse estar "chocada" com a visita e acusou os talibãs de perseguir mulheres.
A Human Rights Watch denunciou que a UE mina sua credibilidade ao cooperar com os talibãs em deportações forçadas.
Y.Bouchard--BTB