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Incêndio no sul da Espanha tem evolução 'favorável'
O incêndio devastador que começou na quinta-feira no sul da Espanha e deixou pelo menos 12 mortos evolui de forma favorável neste sábado (11), após dois dias muito difíceis para os moradores desta zona da província de Almería, onde residem numerosos estrangeiros.
"A evolução durante a noite foi favorável e as condições meteorológicas nos permitem enfrentar o dia com melhores perspectivas do que ontem", afirmou neste sábado o secretário regional de Emergências, Antonio Sanz.
Centenas de bombeiros, com apoio aéreo, trabalham na região para controlar o incêndio de rápida propagação que já destruiu 6.600 hectares e é um dos piores da história recente da Espanha.
As chamas começaram na quinta-feira em Los Gallardos, uma área de relevo acidentado ao leste da Andaluzia, repleta de ravinas e casas espalhadas, bloqueando as pessoas que tentavam fugir, segundo as primeiras investigações.
As chamas também deixaram oito feridos, quatro deles em estado grave, e obrigaram 1.400 pessoas a abandonarem suas casas.
As 12 pessoas que morreram ficaram encurraladas pelo fogo quando tentavam fugir das chamas de carro ou a pé, segundo as autoridades, que lembraram a obrigação de seguir as instruções das equipes de emergência.
As vítimas são de diferentes nacionalidades, informou na sexta-feira o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, que seguiu para a região, onde residem muitos estrangeiros atraídos pelo sol e pela tranquilidade.
"Nunca vi nada assim. Você vê isso nos filmes, mas não na vida real", disse Martin Smith, um turista britânico que foi retirado, ao lado da esposa, do camping em que passavam férias.
Após várias horas sem encontrar mais vítimas, as autoridades mantêm a esperança de não receber notícias piores. "A Guarda Civil procurou em todas as áreas e nos informou que não encontrou mais nenhuma pessoa. Isso não impede, nem quer dizer que não possa acontecer, mas, logicamente, é alentador", afirmou o secretário de Emergências.
Assim como já havia feito na sexta-feira, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, Sanz mostrou-se cauteloso sobre o número de desaparecidos.
"Devemos ser prudentes ao afirmar que existem 23 desaparecidos, não é isso", pediu. "Estamos falando de pessoas com as quais seus familiares não conseguem entrar em contato, mas que podem estar em abrigos".
Até o momento, a Guarda Civil recebeu sete denúncias de desaparecimento, explicou, mas até a conclusão das autópsias e identificações dos corpos encontrados não será possível estabelecer um balanço definitivo, já que estas pessoas podem estar entre os falecidos localizados.
A Espanha é um país na linha de frente das mudanças climáticas e enfrentou, nos últimos anos, ondas de calor cada vez mais frequentes e prolongadas, com temperaturas que muitas vezes superaram os 40ºC, o que cria condições propícias para grandes incêndios florestais.
Os incêndios devastaram quase 400 mil hectares no ano passado, o maior número registrado no país pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, e provocaram oito mortes.
H.Seidel--BTB