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Incêndio devasta floresta de Fontainebleau, perto de Paris
Cerca de 800 bombeiros e dois hidroaviões combatiam as chamas, nesta segunda-feira (13), na emblemática floresta de Fontainebleau, nos arredores de Paris, devastada por um incêndio que já queimou quase mil hectares, segundo as autoridades.
O incêndio começou no domingo em plena onda de calor nesta floresta 60 km a sudeste de Paris, que conta com samambaias e coníferas especialmente inflamáveis. Todos os anos, o bosque recebe cerca de 15 milhões de visitantes.
Na tarde desta segunda-feira, as chamas já tinham consumido "quase 1.000 hectares" dos 23.000 da floresta, informou, durante uma coletiva de imprensa, o diretor-geral de Defesa Civil, Julien Marion.
O encarregado afirmou que quase 800 bombeiros estão mobilizados para tentar controlar as chamas.
Desde esta manhã, dois hidroaviões Canadair coletam a água do rio Sena para lançá-la sobre as chamas. Outros dois aviões do mesmo tipo "se dirigem" para o local, segundo o prefeito do departamento de Seine-et-Marne, Pierre Ory.
É a primeira vez que estes aviões de combate ao incêndio são usados na região de Paris.
Duas aeronaves Dash também operam desde o domingo lançando um produto retardante, além da água lançada por helicópteros dos bombeiros.
Esta mobilização espetacular será especialmente útil, pois na tarde desta segunda-feira foi detectado um novo foco de incêndio perto da cidade de Fontainebleau, de 15.000 habitantes.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tinha declarado pela manhã que esperava que o incêndio fosse controlado nesta segunda-feira. Mas o prefeito se mostrou mais prudente ante as "difíceis" condições que os bombeiros enfrentam devido ao vento e às altas temperaturas.
- Moradores "à espera" -
Clément Boher, um morador de 37 anos de Arbonne-la-Fôret, explicou que ele e sua família estavam em alerta desde que viu colunas de fumaça subindo sobre a vegetação na noite de domingo.
"Como todo mundo, estamos à espera, com os veículos preparados e uma mochila pronta. O único que podemos fazer é esperar", afirmou.
Quanto às causas do incêndio, Laurent Nuñez disse, durante visita ao local nesta segunda, que "houve uma dezenas de pontos de início de fogo em um perímetro de 1.000 metros, o que sugere que poderia ser de origem intencional".
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que "todos os recursos foram mobilizados" no combate ao incêndio.
"Nunca vi isto" em três décadas, disse Didier Buguinet, vice-prefeito de Le Vaudoué, localidade de 700 habitantes vizinha à floresta. "Vamos chorar por nossa floresta", lamentou.
A prefeitura proibiu, nesta segunda-feira, que os agricultores da região trabalhem nos campos, assim como o acesso da população a todo o maciço florestal.
- "Vimos as cinzas cair" -
Valérie e seu marido, Daniel, que não quiseram informar seu sobrenome, viveram incêndios em Portugal e Marselha, no sul da França, mas a magnitude das chamas na floresta de Fontainebleau os impressionou.
"Vimos as cinzas cair. A prefeitura e os bombeiros vieram nos dizer para evacuarmos", conta a mulher, na casa dos 50 anos. "Enfiamos os gatos e os cães no carro (...) Víamos o fogo de um lado e do outro", afirma.
Seu marido voltou para garantir que sua casa não tinha queimado. "Os bombeiros me disseram que a casa estava bem, mas que não podia voltar antes das 06h da manhã", relata.
A França vive atualmente sua terceira onda de calor desde o fim de maio, o que favoreceu vários incêndios em diferentes pontos do país na semana passada.
Desde o início do ano, os incêndios na França queimaram 32.000 hectares, "mais do que em toda a temporada de 2025, apesar de ainda estarmos em 13 de julho", afirmou o ministro do Interior.
As temperaturas elevadas prosseguirão em boa parte da França pelo menos até terça-feira, segundo a agência meteorológica Météo-France, que prevê para Fontainebleau máxima de 35ºC nesta segunda e de 36ºC na terça-feira.
bur-erl-avl/hgs/fp-jc/mvv/aa
O.Krause--BTB