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Pelo menos 180 mortos e mais de 1.300 desaparecidos após avalanche entre Nepal e Tibete
Equipes de resgate procuravam nesta quinta-feira 1.300 desaparecidos na fronteira entre o Nepal e a região autônoma chinesa do Tibete, após as repentinas inundações e deslizamentos de terra que deixaram pelo menos 180 mortos e devastaram vilarejos inteiros.
Um vídeo registrado por uma câmera de segurança, gravado do lado chinês, mostra como, na manhã de quarta-feira, uma avalanche de lama e destroços engole um prédio de vários andares, enquanto dezenas de pessoas correm para evitar a tragédia. A enxurrada arrastou ônibus e carros com facilidade.
Segundo balanços oficiais ainda provisórios, o fenômeno matou 177 pessoas do lado nepalês e três do lado chinês, no Tibete.
A avalanche de água e lama, semelhante a um tsunami, foi provocada pelo colapso de uma geleira, que foi de tamanha violência que foi registrado como um "evento sísmico" de 5,2 graus de magnitude, segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A enxurrada varreu, no Nepal, o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, ao leste da capital.
Vinte e quatro horas depois da tragédia, as autoridades do Nepal continuam sem notícias de 823 pessoas, incluindo 517 turistas estrangeiros. Entre eles há 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá, informou o Departamento do Turismo.
Do outro lado da fronteira, a imprensa estatal chinesa informou que o balanço pelo "deslizamento de lama" que atingiu o porto tibetano de Gyirong é de três mortos. Também citou 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros, mas não revelou suas nacionalidades.
O nepalês Raju Bhadel, 56 anos, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado, que estava desesperado. "Estavam chorando e disseram que sua casa havia sido destruída. Três membros da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido", contou.
- Povoados destruídos -
As equipes de resgate avançavam com dificuldade nesta quinta-feira através da lama e dos escombros nas áreas afetadas em busca de sobreviventes, depois que a avalanche soterrou os andares inferiores de prédios de vários pavimentos.
Subash Khatani disse à AFP que estava procurando o irmão. "Ele está entre os desaparecidos do distrito de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo", declarou.
O diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), David Fisher, fez um alerta sobre a dimensão da catástrofe e afirmou que "povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos".
O governo dos Estados Unidos prometeu uma ajuda de 500.000 dólares (2,5 milhões de reais).
Especialistas advertiram que um bloqueio persistente em um rio na fronteira entre o Nepal e a China pode causar uma nova inundação.
"Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação", explicou à AFP Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com sede em Katmandu.
Vídeos divulgados pela polícia nepalesa registraram como a água da enchente subiu por um dos rios e destruiu casas inteiras pelo caminho, enquanto imagens da AFP mostram o andar superior de uma casa emergindo do solo lamacento.
O Exército nepalês realizou diversos sobrevoos na área e resgatou dezenas de pessoas, enquanto outras que viviam em áreas de risco perto do rio receberam ordens para deixar estes locais.
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que "a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para buscar e resgatar as pessoas desaparecidas", segundo a imprensa estatal.
O Dalai-lama disse nesta quinta-feira que reza por todas as vítimas e pediu "medidas de ajuda adequadas". O líder espiritual do budismo é considerado por Pequim um rebelde e separatista, após fugir do Tibete para o exílio em 1959, depois que tropas chinesas reprimiram um levante na região.
As chuvas de monção, de junho a setembro, costumam provocar inundações e deslizamentos de terra mortais em todo o sul da Ásia. Segundo cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e frequência desse tipo de fenômeno meteorológico extremo na região.
F.Müller--BTB