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Justiça do Equador condena ex-presidente por corrupção
A Justiça do Equador condenou nesta sexta-feira a cinco anos de prisão o ex-presidente Lenín Moreno, em um caso de corrupção que envolve a construção da maior hidrelétrica do país pela empresa chinesa Sinohydro, informou a Procuradoria-Geral.
O tribunal condenou Moreno a cinco anos de prisão por suborno, juntamente com outas seis pessoas, entre elas um ex-embaixador chinês, publicou a Procuradoria no X. O ex-governante, 73, antecipou que recorreria da decisão de primeira instância, na qual sua mulher e outros familiares foram condenados a quase três anos de prisão por cumplicidade.
A corte considerou Moreno responsável por se beneficiar de um esquema de corrupção relacionado à usina Coca Codo Sinclair, que começou a operar em 2016. Quando ele era vice-presidente do socialista Rafael Correa, entre 2007 e 2013, a família de Moreno recebeu cerca de 1 milhão de dólares das propinas pagas pela Sinohydro para favorecer a construção, de acordo com a Procuradoria.
Um tribunal da Corte Nacional de Justiça, com sede em Quito, informou no X que quatro "dos processados, incluindo Lenín M., são responsáveis pelo crime de #Suborno". Entre eles estão dois ex-gerentes da Coca Codo Sinclair.
"Não recebi um único centavo da Sinohydro", disse o ex-presidente, após tomar conhecimento da decisão da Justiça. De acordo com a Procuradoria, a empresa chinesa teria pago propinas de 76 milhões de dólares (4% do custo da obra).
Moreno, que se locomove em cadeira de rodas, também ocupou os cargos de enviado especial das Nações Unidas para questões relacionadas à deficiência, em Genebra, e de representante da OEA para pessoas com deficiência, em Assunção.
Correa governou o Equador durante uma década, até 2017, e impulsionou a eleição de Moreno para a Presidência. Mas este último se distanciou do governo ao adotar uma guinada à direita e se aproximar dos Estados Unidos.
O caso também envolve cerca de 20 pessoas, entre elas vários chineses, como um ex-embaixador.
Correa vive na Bélgica desde que deixou o poder e foi condenado à revelia, em 2020, a oito anos de prisão em outro caso de corrupção, que envolveu empresas como a construtora brasileira Odebrecht.
B.Shevchenko--BTB