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Moraes sob pressão após ter conversa com Vorcaro exposta
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta pressões após a divulgação, nesta terça-feira (1º), de mensagens que recebeu de Daniel Vorcaro, banqueiro preso sob suspeita de participar de um amplo esquema de corrupção, nos dias que antecederam sua detenção em novembro do ano passado.
Vorcaro era proprietário do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e deixou dívidas superiores a R$ 40 bilhões, afetando aproximadamente 800 mil investidores em um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil.
As revelações ocorrem a poucas semanas das eleições presidenciais, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, lideram as intenções de voto. Moraes conduziu o histórico julgamento por tentativa de golpe de Estado que levou à condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.
Um relatório da Polícia Federal ao qual a AFP teve acesso nesta terça-feira reproduz mensagens de WhatsApp nas quais o banqueiro pede ajuda a Moraes com o aparente objetivo de frear a investigação que terminou em sua prisão.
As mensagens mostram Vorcaro perguntando ao ministro, dias antes de sua detenção, se deveria deixar o país. "Acha que segunda já tenho que estar fora?", escreveu em 15 de novembro. As respostas de Moraes, porém, não aparecem no relatório policial.
A investigação também revela que o magistrado teria alterado pessoalmente a minuta de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 130 milhões, firmado em fevereiro de 2024.
A AFP solicitou comentários de Moraes ao Supremo Tribunal Federal, mas não obteve resposta imediata.
O ministro André Mendonça, responsável pelo caso do Banco Master no STF, pediu à Procuradoria-Geral da República que se manifeste sobre as novas revelações no prazo de cinco dias. Também solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, que o conteúdo do relatório policial seja analisado em sessão plenária, "de forma pública e transparente".
"São acusações graves", declarou Flávio Bolsonaro a jornalistas no Congresso, pedindo que Moraes dê "explicações" sobre o ocorrido.
"No meu entendimento, caso (as acusações) se confirmem, não há nenhuma condição mais do ministro Alexandre de Moraes continuar na Suprema Corte", afirmou o candidato.
R.Adler--BTB