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'Não conseguíamos respirar', dizem sobreviventes após a morte de 37 garimpeiros na Nigéria
"Não conseguíamos respirar" e "avisamos que algumas pessoas já estavam morrendo asfixiadas, mas ninguém respondeu", relataram vários sobreviventes após a morte de 37 garimpeiros supostamente ilegais que estavam sob custódia de paramilitares na Nigéria.
"Estávamos amontoados na cela, sem ventilação", disse Dauda Shehu, um dos sobreviventes, a repórteres em um hospital na cidade de Minna, no dia seguinte à tragédia.
"De repente, percebemos que não conseguíamos mais respirar (...). Chegamos a gritar com eles várias vezes, batemos na porta da cela, mas eles se recusaram a nos responder", acrescentou.
"Avisamos que algumas pessoas já estavam morrendo asfixiadas, mas ninguém respondeu", disse.
Outro sobrevivente, que pediu para permanecer anônimo, explicou que estava perto da entrada da cela e conseguia respirar melhor.
"Gritávamos que as pessoas estavam morrendo", mas os guardas "não acreditaram em nós", relatou.
Na sexta-feira, alguns manifestantes ergueram barricadas em Minna.
"A cidade está tensa", disse Hassan Usman, morador de Tunga, o bairro onde os garimpeiros mortos estavam detidos. Os jovens "destruíram vários ônibus", acrescentou.
Um vídeo obtido pela AFP mostra a polícia atirando contra uma multidão em uma rodovia deserta.
O ministro do Interior, Olubunmi Tunji-Ojo, denunciou "um incidente lamentável".
O governo nigeriano anunciou a suspensão de um comandante da Defesa Civil e ordenou uma "investigação minuciosa" sobre as mortes de 37 garimpeiros na quinta-feira.
Um relatório de inteligência consultado pela AFP estima que as mortes foram causadas por "superlotação e ventilação insuficiente em um centro de detenção".
A Defesa Civil inicialmente atribuiu as mortes a doenças.
L.Janezki--BTB