Berliner Tageblatt - Flávio Bolsonaro isolado e ridicularizado em seu exílio nos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro isolado e ridicularizado em seu exílio nos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro isolado e ridicularizado em seu exílio nos Estados Unidos / foto: © AFP/Arquivos

Flávio Bolsonaro isolado e ridicularizado em seu exílio nos Estados Unidos

A piada viral do momento no Brasil tem como alvo Flávio Bolsonaro. "Hoje eu venho aqui me autodeclarar sem celulite", brincou a cantora Anitta, enquanto o influenciador Felipe Neto se autoproclamou o "verdadeiro presidente eleito do Twitter" e uma usuária anônima se apresentou como a "ganhadora do próximo sorteio da mega sena".

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Na quarta-feira, Flávio publicou uma carta na qual se autoproclamou "o líder" do país e denunciou uma suposta "fraude eleitoral", logo após chegar aos Estados Unidos, para onde fugiu depois de sua derrota na eleição presidencial.

Nas redes sociais, a reação combina incredulidade, sarcasmo e rejeição à declaração do candidato do Partido Liberal (PL), inclusive entre aliados de seu próprio campo político.

O senador de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de uma série de investigações judiciais. Ele chegou à Flórida na quarta-feira após uma rocambolesca viagem, apesar de ter sido proibido de deixar o Brasil.

No último domingo, sofreu uma derrota inesperada no segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que venceu com mais de 4 milhões de votos de vantagem.

Poucas horas depois de desembarcar com a família em Miami, Flávio apresentou-se no X como "o verdadeiro presidente" do Brasil, em uma carta dirigida "ao povo brasileiro e à comunidade internacional".

Minutos depois, porém, recuou e publicou uma nova versão do texto, na qual se descreve como "o líder" do país e afirma que pretende "liderar a oposição" a partir de seu exílio nos Estados Unidos.

Foi o suficiente para desencadear uma onda de reações indignadas. Veículos de comunicação denunciaram o “tom golpista" da carta, enquanto personalidades de diferentes correntes políticas defenderam o respeito ao resultado das urnas.

- "Patética" -

Muitos observadores veem na atitude do senador uma repetição dos passos do pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado contra Lula em 2022.

A maior parte das lideranças da direita tratou de se distanciar. A reação de Tarcísio de Freitas, recém-reeleito governador de São Paulo com ampla margem de votos, foi contundente.

“Nós somos democratas, o resultado das urnas é soberano. O que a gente viu foi uma posição majoritária da população que precisa ser respeitada”, declarou em entrevista publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Tarcísio não descarta disputar a Presidência da República em 2030. Com apoio de setores empresariais, ele chegou a ser cogitado neste ano, antes de o ex-presidente optar pela candidatura do filho mais velho.

Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, também reconheceu que “não há provas” de fraude eleitoral.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, fez questão de se manifestar. Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, o ministro reiterou que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.

Nas páginas do jornal O Globo, o colunista Merval Pereira descreveu Flávio Bolsonaro como um "Napoleão de hospício". Já a Folha de S.Paulo classificou a carta como "patética".

- "Tocar o partido pra frente" -

A autoproclamação de Flávio Bolsonaro como líder no exílio "não foi um erro, um mau passo que ele deu. É um gesto calculado” para preservar sua influência sobre o campo da extrema direita, avaliou à AFP Geraldo Monteiro, cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Há muito em jogo: embora tenha perdido a eleição presidencial, a direita conquistou ampla maioria no Congresso nas eleições realizadas no início de outubro. O PL, partido dos Bolsonaro, será a maior bancada parlamentar a partir de fevereiro.

“Não acredito que ele tenha condições de sustentar isso, porque, como eu falei, a bancada já está eleita. Ou seja, as pessoas não estão precisando dele nesse momento”, ponderou Monteiro.

Segundo o especialista, a carta de Flávio traçou uma “linha vermelha" entre os que optam por uma "lealdade extrema" e aqueles que "resolveram não embarcar mais uma vez em uma aventura golpista".

Nesta quinta-feira, Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar, recebeu a visita do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Abordado por jornalistas ao deixar a residência, Costa Neto afirmou que "ninguém aprovou a carta" do senador e que querem “tocar o partido pra frente”.

H.Seidel--BTB