-
Opositora venezuelana entrega carta a papa em defesa dos 'presos políticos'
-
Djokovic e Sabalenka farão parde de órgão de diálogo entre tenistas e torneios de Grand Slam
-
Com lesão no tornozelo, Gakpo vira desfalque para seleção holandesa
-
'Pseudojornalismo': sites partidários de notícias ganham espaço nas eleições legislativas dos EUA
-
Governo Trump conclui revogação de normas sobre eficiência de combustível
-
Furacão Polo se aproxima do México e ameaça causar danos severos
-
Arrascaeta sofre fratura no punho esquerdo, informa Flamengo
-
Papa Leão XIV faz apelo pela paz na Europa ao se despedir da França
-
Libertados sob fiança os cinco detidos por planejarem ataque contra base militar britânica
-
Gigante da IA, Nvidia autoriza recompra recorde de ações por US$ 150 bilhões
-
EUA diz que não planeja vender armas à China, após declarações de embaixador americano
-
Lucro operacional da Shein caiu 50% no primeiro semestre de 2026
-
Quem comanda o meio-campo? O dilema de Ancelotti na renovação da Seleção
-
Megafoguete Starship alcança a órbita terrestre pela primeira vez
-
Líder da extrema direita na França nega supostos comentários antissemitas de 2013
-
Irã nega envolvimento em plano para atacar base militar inglesa usada pelos EUA
-
FMI destaca 'condições excepcionalmente difíceis' do Haiti
-
O que está em jogo nas eleições brasileiras
-
Arrascaeta brilha, mas sai lesionado em goleada do Uruguai sobre Coreia do Sul em amistoso
-
Os momentos que marcaram a vida de Lula
-
Lula enfrenta Flávio Bolsonaro em sua última batalha eleitoral
-
Humorista é condenado na Turquia pela acusação de insultar Erdogan e sai em liberdade provisória
-
Críticas 'não afetam' ideias para futuro da Seleção, diz Ancelotti
-
Bangcoc se adapta às inundações com mercados flutuantes
-
Manifestantes em Madri mantêm pressão contra o governo diante da crise da moradia
-
Bebês nascidos em hospitais públicos ganham anel de ouro em estado da Índia
-
Escritor acusado de usar IA interrompe turnê promocional na França
-
Papa Leão XIV defende a paz na Europa e faz alerta contra 'rearmamento'
-
Leão XIV conclama Europa 'a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz'
-
Líder social-democrata não consegue formar governo na Suécia
-
Papa Leão XIV chega a Metz para um discurso sobre a paz na Europa
-
Estados Unidos publicam lista de produtos que seriam beneficiados por acordo com a China
-
Colaboradora de María Corina Machado retorna à Venezuela
-
Ravens dominam Maracanã no terceiro jogo da NFL no Brasil
-
Houthis acusam Arábia Saudita de ataque a mercado no Iêmen
-
Caravanas exigem 'retorno seguro' de opositora na Venezuela
-
Ravens vencem Cowboys (34-31) em jogo da NFL no Rio de Janeiro
-
Colômbia prende mulher e filha de líder do narcotráfico do Equador
-
Papa promete evitar novos casos de abuso sexual na Igreja
-
Alemanha perde em casa para Grécia (1-0) e segue sem vencer na era Klopp
-
Com CR7 no banco, Portugal vence Noruega (2-1) na Liga das Nações
-
Extrema direita ganha espaço no Senado da França
-
Almodóvar visita acampamento de protesto contra crise habitacional na Espanha
Gastronomia, política e sentimentos: taiwaneses constroem identidade própria
Usando folhas de bambu, Ivy Chen embrulha uma bola de arroz pegajoso. A professora de culinária ensina a receita de um bolinho de massa ao estilo taiwanês, prato distintivo da identidade desta ilha governada democraticamente.
A chef de 66 anos dedicou quase 25 deles à defender e divugar a culinária de Taiwan a turistas e locais, a quem explica como os pratos nascidos do outro lado do estreito, na China continental, se tornaram o símbolo da ilha.
A ideia de uma identidade taiwanesa é considerada por muitos eleitores antes das eleições presidenciais de sábado, que determinarão as relações entre Taipei e Pequim nos próximos quatro anos.
"Eu sou 'made in Taiwan'. Nasci aqui, cresci aqui, conheço todos os sabores autênticos, conheço as tradições", disse Chen à AFP em sua cozinha em Taipei.
Seu último livro de receitas, "Made in Taiwan", pretende demonstrar que "a culinária taiwanesa é independente" e inclui receitas como pãezinhos de porco ou tofu vendidos nos mercados noturnos da capital.
"O próprio fato de ser taiwanês é uma luta constante face às tentativas incansáveis do Estado chinês de apagar a nossa identidade", diz a co-autora Clarissa Wei na introdução do livro.
"Nossa comida não é uma subcategoria da comida chinesa, porque Taiwan não faz parte da China", acrescenta.
Sua opinião firme está alinhada ao sentimento da maioria dos moradores da ilha que se distanciam da China, embora esta reivindique Taiwan como parte de seu território.
- Taiwanesa, "sem dúvida alguma" -
Depois que o Partido Comunista assumiu o controle da China continental em 1949, no final de uma guerra civil, os nacionalistas do Kuomintang fugiram para Taiwan, causando um impasse político.
Entretanto, quando a ilha passou de uma autocracia para a democracia na década de 1990, os sentimentos da população, que tinha sido inicialmente educada na identidade chinesa, tornaram-se mais centrados em Taiwan.
As gerações mais velhas consideram a "unificação da China inevitável", considera Liu Wen, especialista em história e etnologia da Academia Sinica.
"Eles respondem passivamente às intrusões e exercícios militares chineses porque acreditam que eventualmente (...) Taiwan e a China se unirão", explica ele.
Mas este imaginário não é o mesmo entre as gerações mais jovens. Em 1992, um quarto da população da ilha identificou-se como chinesa. Atualmente este número é inferior a 3%, de acordo com pesquisas realizadas pela Universidade Nacional Chengchi de Taiwan nos últimos três anos.
A comediante Kylie Wang, que dirige um popular podcast de notícias, se descreve como taiwanesa, "sem dúvida alguma", declara. "Nasci aqui e amo meu país, por isso sou taiwanesa. Minha identidade é taiwanesa", diz a mulher de 38 anos.
- "Isso é Taiwan" -
A chef Chen, que nasceu em 1957, durante o regime autoritário dos nacionalistas, explica que este sentimento de identidade nem sempre existiu.
"A comida taiwanesa era considerada de segunda categoria e o governo nacionalista elogiava a comida chinesa como sendo adequada e de alta qualidade", explica, acrescentando sobre o esforço para fazer com que as pessoas falassem apenas mandarim em público.
A medida enfraqueceu outras línguas faladas na ilha, lar de povos indígenas e descendentes das colônias holandesas e japonesas, além de novos imigrantes procedentes da China.
O orgulho taiwanês cresceu quando a lei marcial foi suspensa e a ilha fez a transição para a democracia.
Quando Chen Shui-bian se tornou o segundo líder democraticamente eleito da ilha em 2000, pondo fim a décadas de poder do Kuomintang, seus banquetes nacionais já incluíam pratos típicos de Taiwan.
Ele explicou ao mundo que "a culinária taiwanesa é linda e deliciosa. Quando as políticas mudaram, a comida também mudou", analisou Chen.
Atualmente, a ilha de 23 milhões de habitantes defende abertamente a democracia, os valores da liberdade de expressão e de imprensa, sobretudo diante da pressão militar chinesa e às ameaças de "unificação".
As eleições locais e legislativas preenchem o frenético calendário político da ilha, que é também um dos poucos territórios da Ásia onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido.
"Isto é Taiwan: estamos tão habituados a ter eleições, a ter a política nas nossas vidas cotidianas", diz Wang, cujo podcast "The KK Show" tem 400 mil ouvintes.
F.Müller--BTB