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Dior homenageia Nureyev com desfile ao ritmo do balé 'Romeu e Julieta'
Ao ritmo do balé "Romeu e Julieta", a Dior homenageou, nesta sexta-feira (19), o bailarino russo Rudolf Nureyev, debaixo de um espetacular teto estrelado na Escola Militar de Paris, durante a Semana de Moda masculina de Paris.
O estilista da linha masculina da Dior, Kim Jones, lembrou em notas escritas para o público que seu tio, Colin Jones, foi bailarino clássico e depois fotojornalista, e que pôde fazer uma rara série de fotos íntimas do astro russo do balé.
"Na história da Dior também há um vínculo com o balé, e esse era o frio, a fonte" de onde surgiu a inspiração, declarou à AFP o criador britânico na véspera do desfile.
Com passos firmes, os modelos desfilaram em silhuetas masculinas tradicionais da Dior, mas com detalhes originais, como uma touca que lembrava Nureyev que dançou e coreografou "La Bayadère".
Destaque para o casaco em tons de cinzas, bordado com fios prateados que demandou mais de 2.000 horas de trabalho do alfaiate especialista Vermont.
Jones desconstrói os ternos de linha inglesa, com as calças cortadas na altura dos joelhos, e fechadas com zíper ao invés de botões. O colarinho é em forma de V.
Também chamaram atenção o quimono preto ou o agasalho suntuoso que se arrasta languidamente pelo chão, estampado na parte posterior e de um vermelho brilhante na parte interior.
Uma camisa bem justa ao corpo, estampada com triângulos coloridos.
E para a noite, um espetacular terno largo e preto, totalmente coberto de lantejoulas, cintilante como o teto.
Tratava-se de unir "o funcional e o poético com o útil e o luxuoso", resumiu Jones.
"Eu estava pensando no consumidor, no que ele sente, em peças que você quer comprar e guardar", explicou o criador, que desfila pela sexta vez para a Dior Homme.
As perspectivas de vendas para o setor de luxo se anunciam um pouco mais discretas neste ano em relação às duas temporadas anteriores, segundo os especialistas.
Somente na China, as vendas podem aumentar um pouco além da média, até 6% em relação a 2023, segundo um comunicado recente do Business of Fashion e da McKinsey.
Resultado: é preciso cuidar mais do que nunca dos clientes, muito particularmente dos asiáticos, que são numerosos nos desfiles de grandes marcas como Dior ou Louis Vuitton.
A Dior conta há anos com grupos inteiros de K-pop (pop coreano) entre seus "embaixadores", convidando-os para seus desfiles de moda para o deleite de centenas de fãs, que mais uma vez lotaram a entrada da Escola Militar.
- "Até que me canse" -
O japonês Mihara Yasuhiro voltou a mostrar seu humor ácido com um desfile ao ritmo de um DJ.
No início do show, surgiram animadoras de torcida com pompons e camisetas com o logo "Paris", em alusão às Olimpíadas que ocorrerão na capital francesa neste ano.
Yasuhiro, que começou em 1997 desenhando sapatos, ignora as convenções e apresenta roupa unissex, com e para homens e mulheres. Os tamanhos são exagerados, as jaquetas bomber verde-cáqui quase se arrastam pelo chão. Nas calças poderiam caber duas pessoas.
Mas depois aparece uma menina com um vestido com corte impecável e ajustado e cauda longa.
Os bolsos são pequenos dinossauros feitos de imitação de couro.
"Há cinco ou seis anos no negócio parece que não querem fazer mais tamanhos exagerados. Mas eu seguirei fazendo, até que me canse", explicou o estilista à AFP.
C.Meier--BTB