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Cinquenta anos após sua morte, figura de Franco ganha popularidade entre jovens espanhóis
Os elogios a Francisco Franco 50 anos após sua morte ganham terreno entre os jovens espanhóis que, segundo especialistas, carecem de conhecimentos sólidos sobre a ditadura e são permeáveis à propaganda.
Essa simpatia cresceu impulsionada pelas redes sociais, um ensino fraco sobre o período e a pulsão antissistema da idade.
A construção de represas, a prosperidade econômica e a criação da seguridade social são alguns dos mitos mais exaltados na esfera virtual para construir uma ideia repetida: "com Franco vivíamos melhor".
A professora Cristina Luz García observou que alguns alunos do ensino médio aos quais dá aulas de História no instituto público de Madrid Las Veredillas repetem "frases que estão muito vinculadas ao próprio regime e à própria propaganda franquista".
"Esses mitos do franquismo foram recuperados", conta à AFP. No entanto, ao dialogar com os estudantes, vê que eles não têm "um conhecimento muito profundo do personagem" nem das "consequências negativas" da ditadura (1939-1975), marcada pelo autoritarismo, pela falta de liberdades e pela repressão.
Ela também pensa que a narrativa pró-franquista é "uma maneira de desafiar o corpo docente ou de parecer ter um discurso ou uma opinião diferente (...), algo muito atraente na própria adolescência".
- "Déficit de educação" -
Segundo uma pesquisa de outubro de 2025 do Centro de Pesquisas Sociológicas, 21,3% da população espanhola acredita que os anos de ditadura foram "bons" ou "muito bons", contra 65,5% que os classificam como "ruins" ou "muito ruins".
No mesmo mês, uma pesquisa do jornal El Mundo revelou que o governista Partido Socialista havia deixado de ser o preferido em intenção de voto entre os jovens de 18 a 29 anos, em benefício do conservador Partido Popular (PP), e que a formação que mais cresceu em apoio nessa faixa etária foi o Vox, de extrema direita.
No clima de extrema polarização que caracteriza a Espanha, tanto o PP quanto o Vox acusam o governo presidido por Pedro Sánchez de que, sob o pretexto de honrar a memória das vítimas da ditadura, busca na realidade reabrir as feridas do passado.
Os jovens "estão extremamente frustrados" diante da precariedade laboral e das dificuldades de acesso à moradia e "consideram que os partidos políticos tradicionais não apenas não resolvem seus problemas, mas são parte deles", explica Verónica Díaz, coordenadora do Mestrado em Problemas Sociais da Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED).
Isso "pode fazer com que se sintam atraídos por discursos 'antissistema' ou 'rupturistas' de partidos de extrema direita".
O "déficit de educação histórica" na escola e a proliferação de "criadores de conteúdo que reinterpretam a História" levam os jovens, "sem ferramentas críticas suficientes", a "confundir essas narrativas com versões legítimas da História", aponta.
- Ensinar "o que foi o franquismo" -
De Iznalloz, em Granada (sul), outro professor de História quis reduzir o déficit de conhecimento dos alunos do instituto Montes Orientales sobre este período histórico.
Em 2020, José María García começou a desenvolver atividades orientadas a ensinar aos estudantes "o que realmente foi o franquismo", destacando seu "método de repressão".
O docente tem observado um aumento do discurso franquista nos últimos anos e relata que ele surge com facilidade nos debates em sala de aula.
Com seu projeto, busca fornecer aos alunos "material para que eles sejam capazes de defender um discurso" diferente daquele que encontram nas redes sociais, que ele também identifica como vetores dessas narrativas.
Seus estudantes Hugo Guindos (15 anos) e Érika Hurtado (16) percebem em seu entorno "cada vez mais" elogios a Franco. Os tiktokers "falam sem argumento, e as pessoas que também não têm argumento e os escutam acabam acreditando", explica Érika.
Ambos os estudantes desconheciam episódios e exemplos de repressão vividos durante o franquismo em sua própria região, onde "há muitas fossas comuns", conta Hugo, que ficou surpreso ao descobrir o quanto o regime torturava.
O aluno considera importante o projeto desenvolvido por sua escola "para conscientizar a geração atual" de jovens sobre o que aconteceu nesse período histórico "agora que o franquismo está ganhando força".
Trata-se de explicar a eles "que não foi uma época tão boa como dizem", completa Érika.
M.Ouellet--BTB