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Negociações tensas marcam primeiro dia da COP29
A conferência anual sobre as mudanças climáticas (COP29) teve início nesta segunda-feira (11), em Baku, com negociações tensas que atrasam a aprovação da agenda, cujo principal ponto é a aprovação de um novo financiamento em favor dos países mais vulneráveis.
Menos de uma semana após a contundente vitória do republicano Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos, o ambiente diplomático em Baku se mostra tenso, e a previsão é que poucos líderes compareçam à tradicional cúpula climática de dois dias que acompanha as COPs.
A grande reunião anual do clima, sob a liderança da ONU, acontece no momento em que o mundo segue em uma trajetória para bater outro recorde de temperatura.
"Estamos nos encaminhando para a ruína. E não se trata de problemas futuros. A mudança climática já está aqui", alertou na cerimônia de abertura o presidente da COP29, o ministro da Ecologia do Azerbaijão, Mukhtar Babaiev.
"Chegou o momento da verdade", acrescentou.
Após essa introdução, os quase 200 países presentes em Baku deveriam aprovar sua agenda de trabalho, mas as diferenças persistiam sobre vários pontos, de acordo com fontes coincidentes.
Mas o governo dos Estados Unidos, o segundo maior emissor mundial de gases do efeito estufa, pode abandonar novamente o Acordo de Paris, assinado em 2015, que é a base de todas as negociações, como Trump fez durante seu primeiro mandato presidencial (2017-2021).
O republicano, um declarado cético do fenômeno da mudança climática, pode anunciar a saída do Acordo de Paris ao assumir o poder em janeiro, decisão que seria formalizada um ano depois.
"Quero dizer-lhes que, embora o governo federal dos Estados Unidos, sob Donald Trump, possa colocar a ação climática em segundo plano, o trabalho continuará, com paixão e compromisso", garantiu o atual enviado especial para o clima do governo Joe Biden, John Podesta.
"Os Estados Unidos são uma democracia" que, há menos de uma semana, escolheu um presidente "cuja relação com as mudanças climáticas é dominada pelas palavras 'fraude' e 'combustíveis fósseis'", acrescentou Podesta.
A COP29 deve demonstrar que a cooperação mundial "não está em ponto morto", declarou o secretário executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell.
- Meses de negociações -
A COP29 de Baku é chamada informalmente de "COP do financiamento", porque precisa debater o tema essencial das ajudas que os países que mais contribuem para o problema devem conceder às nações mais afetadas.
Durante meses, quase 200 países do Acordo de Paris negociaram um rascunho de acordo para estabelecer uma nova quantia de ajuda.
Em 2009, na COP15 de Copenhague, um acordo estabeleceu que as nações industrializadas concederiam 100 bilhões de dólares (576 bilhões de reais na cotação atual) por ano, em ajuda direta ou empréstimos multilaterais.
- Transição -
O volume de ajuda foi alcançado com dois anos de atraso, em 2022, e agora os especialistas afirmam que é necessária uma quantia pelo menos 10 vezes superior.
A ajuda deve servir tanto para mitigar a emissão de gases do efeito estufa, principalmente por meio de uma gigantesca conversão energética mundial, assim como com a adaptação, ou seja, a construção de barragens, a adaptação das residências às temperaturas extremas, entre outras medidas.
Uma região como a América Latina emite menos de 10% de gases do efeito estufa, mas é uma das que mais sofre impacto com o aquecimento do planeta.
O financiamento da luta climática não é "caridade, e sim do interesse de todos, incluindo as nações mais ricas e maiores", insistiu Stiell, que pediu um acordo "ambicioso".
Além do valor da ajuda e do calendário, as nações devem chegar a um acordo sobre quem paga.
Em 2009, pouco mais de 30 países assumiram a missão dos 100 bilhões de dólares. E a China ficou de fora.
Agora, União Europeia e Estados Unidos, entre outros, querem que Pequim assuma parte da conta, o que promete ser difícil.
A China, principal emissora de gases do efeito estufa, tem sua própria agenda de ajuda climática. Além disso, o país domina grandes setores da conversão de energia, como os metais raros.
No ano passado, em Dubai, os países conseguiram um acordo com muitas dificuldades para uma declaração final da COP28. O texto assumia, pela primeira vez, que os países deveriam empreender uma "transição" para o fim das energias fósseis.
Mas a Agência Internacional de Energia (AIE) recordou em seu relatório anual mais recente que 80% da energia mundial ainda provém dessas fontes (carvão, petróleo, gás).
C.Meier--BTB