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Aumentam as pressões sobre a UE para finalizar acordo comercial com o Mercosul
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, tornou-se alvo de fortes pressões, nesta terça-feira (3), para que finalize o acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco que realizará uma cúpula no Uruguai esta semana.
A chefe da diplomacia da Alemanha, Annalena Baerbock, declarou, nesta terça-feira, que a cúpula marcada para quinta e sexta-feira, em Montevidéu, é provavelmente a "última oportunidade" de fechar o acordo.
"Do ponto de vista alemão, a cúpula do Mercosul que será realizada em Montevidéu na sexta-feira é provavelmente a última oportunidade" para selar o acordo, disse Baerbock ao chegar a uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan.
"É hora de levar a parceria com os países do Mercosul para o próximo estágio. Acho que é essencial que a Comissão Europeia finalize politicamente o acordo de livre comércio do Mercosul", afirmou.
Para Baerbock, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, "tem um mandato completo" para selar o acordo, "e, em nossa opinião, ela deveria fazer uso dele".
O acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, penosamente negociado por 25 anos, parece ter chegado ao seu estágio decisivo, e não está excluído que a cúpula do bloco sul-americano em Montevidéu seja o cenário do anúncio.
A equipe de Von der Leyen ainda não confirmou se a presidente da Comissão viajará ao Uruguai para participar da cúpula.
- Evitar mais atrasos -
Nesta terça-feira, a diretora-geral de Comércio da Comissão Europeia, Sabine Weyand, disse que embora os trabalhos tenham progredido, as discussões entre os dois blocos continuam "em nível político", incluindo a participação do novo Comissário Europeu para o Comércio, Maros Sefcovic.
Para Weyland, o acordo tem uma "importância estratégica (...) de uma perspectiva geopolítica, econômica e de sustentabilidade", afirmou ao Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu.
"No complexo cenário geopolítico atual, garantir acordos comerciais com parceiros confiáveis é essencial para a segurança econômica e a resiliência da UE", declarou.
Na mesma audiência, o eurodeputado espanhol Gabriel Mato advertiu que perder a oportunidade de selar o acordo poderia ser um golpe fatal.
"Está claro que novos atrasos nas negociações tornarão esse acordo deste tipo inviável", alertou.
Em qualquer cenário, ainda haveria um caminho a ser percorrido, acrescentou, visto que o texto negociado e eventualmente aprovado ainda teria que ser traduzido e submetido a uma revisão jurídica.
Para Mato, rejeitar o acordo "é dar um presente àqueles que competem conosco".
A assinatura do tratado enfrenta forte oposição de toda a classe política da França, que cita o risco de uma situação desvantajosa para os agricultores europeus, especialmente os franceses.
A França conseguiu obter o apoio da Polônia, mas ainda não está claro se esta frente conseguirá impedir a Comissão Europeia de decidir encerrar as negociações.
A agenda da cúpula do Mercosul no Uruguai inclui uma discussão sobre o estado das negociações com a UE.
N.Fournier--BTB