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Deputados alemães rejeitam projeto de lei apoiado pelo extrema direita
Os deputados alemães rejeitaram nesta sexta-feira (31), por uma margem muito estreita, um projeto de lei apresentado pelos conservadores com o apoio da extrema direita para restringir a imigração, em meio a uma acirrada campanha eleitoral.
Os parlamentares rejeitaram o texto com 350 votos contrários (338 a favor), depois de o exame do projeto de lei do partido democrata-cristão CDU ter se iniciado com várias horas de atraso.
O chefe de governo alemão, o social-democrata Olaf Scholz, alertou para o risco de que essas duas formações -- os conservadores da CDU e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) -- se unam para governar o país após as eleições de 23 de fevereiro.
Os conservadores afirmam que não buscam uma aliança de governo, mas apenas promover suas ideias para limitar a imigração.
"Vocês não acreditam seriamente que estamos estendendo a mão para um partido [a AfD] que quer nos destruir", afirmou Friedrich Merz, candidato conservador ao governo.
A situação causou um terremoto político na Alemanha, onde os partidos políticos haviam mantido até agora um "cordão sanitário" contra a extrema direita, rejeitando qualquer cooperação a nível nacional.
A proposta de lei da CDU rejeitada nesta sexta-feira buscava restringir o reagrupamento familiar e facilitar a detenção de estrangeiros sem documentos na fronteira.
Na quarta-feira, os conservadores, favoritos nas pesquisas para as eleições de fevereiro, causaram alvoroço ao aprovar, com os votos do AfD, um texto não vinculante sobre imigração que proibia a entrada de todos os estrangeiros sem documentação na Alemanha, incluindo os solicitantes de asilo.
O AfD, partido anti-imigração e nacionalista, conta com mais de 20% das intenções de voto, o dobro em relação às eleições de 2021, segundo as pesquisas. A formação de extrema direita está atrás dos conservadores, que têm cerca de 30%.
O.Krause--BTB