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Tarifas de Trump abalam centro industrial da China
No coração industrial da China, o empresário Andy Xiao está preocupado com sua fábrica, já sob pressão das novas tarifas impostas por Donald Trump.
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro, o presidente dos Estados Unidos colocou vários países sob sua mira, tanto aliados como rivais, impondo tarifas adicionais de 10% aos produtos importados chineses.
Esta medida pode ter repercussões no comércio sino-americano em centenas de bilhões de dólares ou mais, sobretudo se Trump cumprir sua ameaça de impor tarifas ainda mais altas.
Para Andy Xiao, estas tarifas já estão tendo "um grande impacto". Sua empresa, sediada na cidade de Dongguan (sul), produz couro sintético para fabricantes de calçados, muitos dos quais enviam seus produtos aos EUA.
Este modelo de negócios a torna vulnerável a quedas nas exportações, uma possibilidade mais presente do que nunca com as medidas de Trump.
"Isso nos coloca sob muita pressão na China. As fábricas também estão sob pressão", disse o empresário à AFP.
"Obviamente estamos preocupados" com possíveis novos aumentos de impostos, "mas isso é uma questão de política interna" dos EUA e "não há nada que possamos fazer a respeito", afirma.
Muitos fornecedores chineses de Dongguan, onde muitos exportadores de roupas estão sediados, transferiram a produção para o Sudeste Asiático nos últimos anos para reduzir custos e evitar as tarifas "made in China".
Mas Xiao não fez o mesmo, desencorajado pelas dificuldades encontradas por algumas das empresas que fizeram a mudança, como atrasos nos pagamentos.
- Shein e Temu -
A poucos quilômetros, na área industrial de Cantão, a capital provincial, trabalhadores produzem roupas para compradores americanos e outros que procuram preços baixos na Internet.
Estas oficinas são apenas algumas das milhares que, nos últimos anos, viram o número de pedidos que recebem disparar, visto que fornecem para plataformas de comércio online, como Shein e Temu, que conquistaram o mercado dos Estados Unidos.
Estas empresas construíram seu sucesso com base no fato de que pacotes no valor de US$ 800 (R$ 4.558 na cotação atual) ou menos podem entrar nos EUA sem impostos.
Agora elas estão na mira de Trump, que também quer impor tarifas adicionais de 10% sobre estes produtos.
Por enquanto, as importações continuam como de costume, enquanto as autoridades americanas implementam as medidas logísticas necessárias para taxar este fluxo de mercadorias.
O Sr. Zhu, responsável pela produção de uma fábrica fornecedora da plataforma Shein, está "relativamente otimista" com relação às perspectivas de sua empresa.
"Os EUA não produzirão suas próprias roupas" em casa, diz ele. "Eles estão acostumados a depender da produção do Sudeste Asiático e da China (...) Portanto, a perspectiva para o setor têxtil ainda é muito boa", acrescentou.
- "Encontrar uma solução" -
A China expressou "firme oposição" às tarifas impostas por Trump, respondendo com impostos sobre determinadas importações procedentes dos EUA e alertando que tomaria outras medidas para proteger seus interesses econômicos.
Pequim já está enfrentando uma economia atormentada pela crise imobiliária, consumo doméstico lento e alto índice de desemprego entre os jovens.
As fábricas voltadas para a exportação no sul do país empregam milhões de pessoas. Os trabalhadores de uma área apelidada "Cidade Shein" relativizam o impacto das tarifas americanas até o momento.
"A produção está em pleno auge, então nos concentramos nisso", resume Peng, um colega de Zhu.
O Sr. Zhong, que dirige uma fábrica têxtil na cidade vizinha de Zhongshan, também não está realmente preocupado com as tensões comerciais entre Pequim e Washington.
"Acredito que nosso governo será capaz de reagir e encontrar uma solução", disse ele à AFP.
M.Furrer--BTB