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Jornalista em estado crítico após repressão policial em protesto argentino
Um jornalista está em tratamento intensivo, nesta quinta-feira (13), depois de ter sido gravemente ferido enquanto cobria uma manifestação de aposentados apoiada por organizações sociais em Buenos Aires, que levou a confrontos com a polícia que deixaram mais de 100 pessoas presas e pelo menos 45 feridas.
O fotojornalista Pablo Grillo, de 35 anos, foi ferido na cabeça por um projétil de gás lacrimogêneo, como mostram as imagens, e foi levado a um hospital em Buenos Aires para ser operado.
Seu pai, Fabían Grillo, disse que a cirurgia "salvou a vida dele", que "agora vem a possível recuperação” e que os médicos fariam outra intervenção durante o dia "para medir a pressão no outro lado do cérebro".
Na quarta-feira à tarde, a manifestação semanal dos aposentados que exigem o ajuste de suas aposentadorias foi apoiada por membros de pelo menos trinta associações, assim como organizações sociais e sindicais.
Antes de começar o protesto, os manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia com balas de borracha, gás lacrimogêneo e um caminhão-pipa, enquanto alguns respondiam atirando pedras e pedaços de calçadas quebradas, e vandalizavam lixeiras e carros da polícia.
O prefeito acusou "grupos violentos altamente organizados" de terem provocado os tumultos e disse que houve 260 milhões de pesos (cerca de 240.000 dólares ou 1,3 milhão de reais na cotação atual) em danos. Dos 45 feridos, 25 eram manifestantes e 20 policiais, informou.
Os detidos "vão ser acusados por vandalismo de carros, lojas, espaços públicos e agressão a policiais (...). Temos provas e estamos buscando mais ainda para construir um caso sólido”, acrescentou.
- "Objetivos" -
A juíza Karina Andrade liberou 114 dos 124 detidos, nas primeiras horas da manhã, argumentando que a informação recebida sobre as detenções era "imprecisa", sem "detalhes sobre a hora e o local" ou dados sobre o "delito específico" que supostamente haviam cometido, segundo o veredicto publicado pela mídia local.
A presidência criticou a decisão: "Aqueles que militam pela impunidade em todas as decisões também são cúmplices", disse o porta-voz Manuel Adorni.
Os fotojornalistas são "alvos de repressão" do Ministério da Segurança, denunciou a Associação de Repórteres Gráficos da Argentina (ARGRA) em um comunicado.
Grillo foi "gravemente ferido pelas forças de segurança (...) e sua vida está em perigo, porque não houve uma única iniciativa política, institucional ou judicial para pôr fim à sua impertinência assassina e demagógica", declarou a ARGRA.
Além de Grillo, cerca de 20 jornalistas que cobriam o protesto foram atingidos por balas de borracha disparadas pela polícia, de acordo com a associação.
O chefe de gabinete, Guillermo Francos, referiu-se ao caso como um "acidente imprevisto" e acusou os organizadores de pretender realizar "uma espécie de golpe de Estado" contra o governo ultraliberal de Javier Milei.
A ministra de Segurança, Patricia Bullrich, declarou na noite de quarta-feira que Grillo é um "militante kirchnerista (oposição)" e que havia sido detido, embora estivesse no hospital.
Na noite de quarta-feira, panelaços foram ouvidos em repúdio à repressão em vários bairros de Buenos Aires. Além disso, centenas de argentinos marcharam espontaneamente de diferentes partes da cidade até a Casa Rosada (governo), para exigir a saída de Bullrich e Milei.
Os conflitos começaram no meio da tarde de quarta-feira, quando alguns manifestantes desafiaram os cordões de isolamento da polícia para liberar as estradas em frente ao Congresso.
M.Odermatt--BTB