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Alemanha aprova histórico plano de investimento em defesa e infraestrutura
A Câmara Baixa do Parlamento alemão adotou, nesta terça-feira (18), um histórico plano de investimento que permitirá aumentar o gasto em defesa e infraestruturas para modernizar o país e enfrentar as mudanças geopolíticas.
O texto impulsionado pelo futuro chanceler conservador Friedrich Merz - que deve ser ratificado na sexta-feira pelo Bundesrat, a câmara que representa as regiões - foi aprovado por 513 deputados, com 207 abstenções e pode abrir caminho para gastos em defesa de um trilhão de euros (R$ 6,2 trilhões) na próxima década.
Sua aplicação precisa mudar as estritas normas de limite de endividamento da Constituição alemã.
O voto é histórico em um país que durante décadas defendeu um controle orçamentário estrito e que contava com os Estados Unidos para protegê-lo militarmente.
Mas os tempos mudaram e junto à invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, a Alemanha teme a aproximação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Kremlin e seu distanciamento da Europa.
Tem-se que neutralizar a "guerra contra a Europa" liderada pela Rússia, disse Merz entre os deputados.
"É uma guerra contra a Europa e não somente uma guerra contra a integridade territorial da Ucrânia", acrescentou o líder de 69 anos, citando ataques cibernéticos e sabotagens a infraestruturas atribuídas à Rússia.
Merz definiu o plano como um "primeiro grande passo para uma nova comunidade europeia de defesa" que inclua "países que não são membros da União Europeia", como o Reino Unido e a Noruega.
- Mudança de rumo -
Frente à imprevisível política de Washington, Merz, líder do bloco conservador CDU/CSU, defende uma mudança de rumo que aumente a independência europeia em defesa.
A "bazuca" de investimentos, como é chamada pela imprensa alemã, é a pedra angular do futuro governo que Merz se comprometeu a formar junto ao Partido Social-Democrata (SPD) após sua vitória nas legislativas de fevereiro.
O texto prevê retirar o gasto em defesa das restritas regras de endividamento da Alemanha e estabelecer um fundo de 500 bilhões de euros (R$ 3,1 trilhões) durante 12 anos para modernizar as infraestruturas, tomar medidas contra a mudança climática e reativar a maior economia europeia, em recessão há dois anos.
Na Dinamarca, a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, disse que a decisão adotada nesta terça-feira era "uma excelente notícia (...) É bom para Alemanha, mas também é bom para a Europa".
Segundo o líder do SPD, Lars Klingbeil, é "dar uma nova direção à história do nosso país, uma renovação positiva para a Alemanha, uma renovação positiva para a Europa".
Merz decidiu apresentar o plano ante o Bundestag em fim de mandato, antes de que se constitua a nova câmara em 25 de março, quando a iniciativa poderia ser bloqueada por partidos de esquerda e de extrema direita.
O plano alemão também deve permitir um apoio militar pendente de 3 bilhões de euros (R$ 18,6 bilhões) para a Ucrânia, com o qual Kiev poderá receber munições de artilharia e granadas "nas próximas semanas", segundo o porta-voz do governo, Steffen Hebestreit.
O.Krause--BTB