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Índia recebe cúpula global sobre impacto da IA
A Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA) começou, nesta segunda-feira (16), em Nova Delhi com grandes temas na agenda, desde as consequências para o emprego até a segurança das crianças.
Está prevista a participação de executivos como Sam Altman, da OpenAI, e Sundar Pichai, do Google, além dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron (França).
Embora a enorme demanda por inteligência artificial generativa impulsione os lucros e a cotação das empresas de tecnologia, cresce a preocupação com suas consequências para a sociedade.
Esse fórum de cinco dias propõe-se a definir uma “rota comum para a governança e a colaboração global em IA”. Trata-se da quarta cúpula mundial dedicada à IA, após os encontros realizados na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido.
Nesta edição, considerada a maior até agora, o governo indiano espera dezenas de milhares de visitantes, além de 20 governantes e 45 delegações ministeriais.
A cúpula “enriquecerá o discurso global sobre diversos aspectos da IA, como inovação, colaboração, uso responsável e mais”, escreveu no X o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Na movimentada sede da conferência, realizam-se painéis e mesas-redondas sobre temas que vão desde como a IA pode tornar mais seguras as perigosas estradas da Índia até como as mulheres do sul da Ásia interagem com essa tecnologia.
- Três “sutras” -
A reunião de 2023 no Reino Unido foi chamada de Cúpula de Segurança da IA, mas o nome dos encontros mudou à medida que aumentavam sua envergadura e alcance.
Na Cúpula de Ação sobre IA, realizada no ano passado em Paris, dezenas de países assinaram uma declaração que pedia esforços para regulá-la de modo que seja “aberta” e “ética”.
No entanto, os Estados Unidos não estão entre eles. O vice-presidente, JD Vance, alertou que “excesso de regulação [...] poderia matar um setor transformador justo quando está decolando”.
A cúpula de Nova Delhi concentra-se em três temas - pessoas, progresso e planeta -, denominados os três “sutras” ou princípios do setor.
“Há uma margem real para mudança”, embora talvez não ocorra com a rapidez necessária para evitar danos a menores de idade, afirmou Kelly Forbes, diretora do AI Asia Pacific Institute.
Os organizadores destacam que a cúpula deste ano é a primeira organizada por um país em desenvolvimento.
“A cúpula dará forma a uma visão compartilhada de IA que realmente sirva à maioria, não apenas a alguns”, apontou o Ministério de Tecnologia da Índia.
Em 2025, o país subiu ao terceiro lugar, acima da Coreia do Sul e do Japão, em um ranking global anual de competitividade em IA elaborado por pesquisadores da Universidade de Stanford.
Mas, apesar dos planos de infraestrutura em grande escala e das ambições de inovação, especialistas dizem que o país ainda tem um longo caminho para poder competir com os Estados Unidos e a China.
Em escala global, a IA poderia ameaçar postos de trabalho em setores que vão desde o desenvolvimento de software e a indústria manufatureira até o cinema.
Setores importantes na Índia, como os de atendimento ao cliente e suporte técnico, são particularmente vulneráveis. As ações das empresas de terceirização despencaram nos últimos dias, em parte devido aos avanços nas ferramentas de assistência por IA.
Segundo o empresário Peush Bery, as ferramentas de voz com inteligência artificial “eliminarão definitivamente” os call centers.
Embora, ao mesmo tempo, “surjam novos empregos, surjam novos campos”, como o tratamento de dados para garantir que as ferramentas de IA possam reconhecer diferentes sotaques, afirmou Bery à AFP.
I.Meyer--BTB