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Bolsas operam em queda e preço do petróleo dispara com a guerra no Oriente Médio
As Bolsas ao redor do planeta operavam em queda expressiva nesta terça-feira (3), pressionadas pela alta da cotação do petróleo no quarto dia de guerra no Oriente Médio, o que alimenta os temores de uma inflação generalizada.
Os mercados de energia sofreram na segunda-feira um choque global, com uma disparada dos preços do petróleo e do gás, já que a guerra no Oriente Médio ameaça uma região crucial para a produção e exportação de hidrocarbonetos.
O Estreito de Ormuz, uma área pela qual transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial, está fechado, de fato, ao tráfego: as principais empresas marítimas suspenderam os deslocamentos na região devido à explosão do valor dos seguros.
No atual contexto, os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira. Às 9h15 GMT (6h15 de Brasília), a cotação do Brent do Mar do Norte para entrega em maio subia 5,45%, a 81,98 dólares (425 reais) por barril. O West Texas Intermediate (WTI) americano, para entrega em abril, avançava 5,32%, a 75,02 dólares (389 reais).
A cotação do gás também era afetada nesta terça-feira, com o contrato futuro do TTF neerlandês, considerado a referência do gás natural na Europa, em alta de 22,50%, a 54,52 euros (328 reais).
Os preços europeus do gás natural dispararam depois que a empresa estatal de energia do Catar, a QatarEnergy, anunciou a interrupção da produção de gás natural liquefeito (GNL) devido aos ataques iranianos contra as instalações de duas unidades de processamento.
Uma das maiores refinarias da Arábia Saudita também precisou interromper parte das suas operações.
Todas as atenções continuam voltadas para o estratégico Estreito de Ormuz, que separa o Irã da península Arábica e dá acesso ao Golfo.
Na abertura do mercado de petróleo na segunda-feira, o Brent subiu mais de 13%. "Apesar de significativo, o movimento continua inferior às variações extremas observadas durante a crise financeira global (de 2008), às turbulências relacionadas à covid-19 e, inclusive, a certos acontecimentos geopolíticos, como a guerra na Ucrânia", relativiza Jim Reid, economista do Deutsche Bank.
- Queda nas Bolsas -
As Bolsas operam em baixa. Às 9h05 GMT (6h05 de Brasília), Paris perdia 2,15%, Frankfurt 2,78%, Londres 2,02%, Milão 3,21% e Madri 3,56%. Na segunda-feira, os principais mercados europeus registraram queda média de 2%.
Na Ásia, a Bolsa de Seul, que retomou as operações após o feriado de segunda-feira, o índice Kospi fechou em queda de 7,24%. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 3,06%, enquanto a Bolsa de Hong Kong perdeu 1,23%.
- Mercado da dívida -
O mercado da dívida também enfrenta as consequências da guerra. Os investidores "estão se desfazendo dos títulos do Tesouro desde o início da semana, antecipando as possíveis consequências de uma crise geopolítica prolongada que poderia manter os preços do petróleo em níveis elevados e alimentar a inflação", explica Patrick Munnelly, analista do Tickmill Group.
Ao comentar as possíveis consequências do conflito com o Irã, Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), declarou ao jornal britânico Financial Times que "a magnitude do impacto e as implicações para a inflação a médio prazo dependerão da extensão e da duração do conflito".
O rendimento dos títulos alemães a 10 anos, considerados o valor de referência na Europa, estava em 2,78% na manhã de terça-feira, contra 2,71% no fechamento de segunda-feira.
O equivalente francês estava em 3,39%, sem variação na comparação com segunda-feira. Por sua vez, o rendimento britânico a 10 anos era de 4,48%, contra 4,37% na véspera.
O ouro, refúgio tradicional dos investidores diante da incerteza geopolítica e do risco de inflação, permanecia estável com a cotação de 5.307 dólares (27.546 reais) a onça (31,1 gramas).
C.Kovalenko--BTB