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Entidades científicas pedem a Lula que cumpra promessa de apresentar plano de transição energética
Organizações científicas do Brasil pediram ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva que apresente com "urgência" um plano para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, que o presidente havia se comprometido a anunciar em fevereiro.
No dia 8 de dezembro, pouco depois de sediar a conferência climática COP30 da ONU em Belém do Pará, Lula deu 60 dias a seu governo para apresentar um "mapa do caminho" para a transição energética.
Em uma carta enviada ao mandatário e a vários ministros de seu governo, e publicada on-line nesta quarta-feira (15), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) reiteraram "a urgência do cumprimento dessa determinação presidencial".
Essas entidades científicas advertiram que o Brasil é "particularmente vulnerável" ao aquecimento global, que se deve, em grande parte, aos combustíveis fósseis, responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa.
Em 2024, o Brasil foi afetado por uma seca histórica e, ao mesmo tempo, por inundações terríveis que causaram grandes estragos em algumas partes da região Sul do país.
Além disso, em fevereiro deste ano, chuvas torrenciais causaram mais de 70 mortos na região da Zona da Mata no estado de Minas Gerais, na região Sudeste.
A ABC e a SBPC também consideraram que a redução da dependência dos combustíveis fósseis é "uma questão de soberania energética e de segurança econômica nacional" diante da "atual conjuntura geopolítica", marcada pelo aumento do preço do petróleo pelo conflito no Oriente Médio.
No início de abril, o Observatório do Clima — uma rede que reúne entidades ambientalistas da sociedade civil brasileira — também criticou o "atraso inadmissível" na apresentação do plano de transição energética.
Para os ativistas, a demora "expõe os padrões duplos de um país que busca liderar a discussão internacional sobre o tema ao propor um mapa do caminho global enquanto não faz o que precisa dentro de casa para dar o exemplo".
A COP30 foi concluída com um acordo mínimo e sem menção explícita aos combustíveis fósseis, diante da oposição de países produtores como Arábia Saudita e Rússia.
Nos dias 28 e 29 de abril, a Colômbia receberá, na cidade de Santa Marta, na região do Caribe, uma conferência internacional na qual está previsto o lançamento de uma coligação de países determinados a abandonar os combustíveis fósseis.
R.Adler--BTB