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Irã desafia bloqueio dos EUA e preço do petróleo dispara
O Irã advertiu os Estados Unidos, nesta quinta-feira (30), que o bloqueio de seus portos está condenado ao fracasso, em plena disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, que disparou os preços do petróleo a níveis máximos em quatro anos.
Embora os dois países mantenham um cessar-fogo desde 8 de abril, as negociações estão estagnadas e o tráfego marítimo segue em níveis mínimos por essa rota, por onde antes passava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.
Desde meados de abril, os Estados Unidos bloqueiam os portos iranianos em resposta ao fechamento de Ormuz praticado pelo Irã como represália aos ataques israelenses e americanos que desencadearam a guerra em 28 de fevereiro.
Segundo um alto funcionário americano, o presidente Donald Trump considera prolongar essa medida "durante meses, se necessário", o que provocou uma resposta desafiadora de Teerã.
"Qualquer tentativa de impor um bloqueio marítimo ou restrições é contrária ao direito internacional (...) e está condenada ao fracasso", declarou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Tais medidas "são, de fato, uma fonte de tensão e perturbação para uma estabilidade duradoura no Golfo Pérsico", acrescentou.
Essa perspectiva disparou os preços do petróleo. O barril de Brent chegou a superar nesta quarta-feira os 126 dólares (R$ 626), seu nível mais alto desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022.
Nesta quinta-feira, Trump receberá um relatório do almirante Brad Cooper, comandante americano para o Oriente Médio, sobre possíveis novas operações militares contra o Irã, informou o site Axios, citando fontes próximas ao assunto.
O presidente americano declarou ao mesmo veículo que sua estratégia naval está "asfixiando" os iranianos. "E será pior para eles", insistiu.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos na região (Centcom), na quarta-feira ele impediu a passagem do 42º navio que tentou romper o bloqueio no Golfo.
Atualmente, há "41 navios petroleiros com 69 milhões de barris de petróleo que o regime iraniano não consegue vender", indicou o Centcom. A carga é avaliada em 6 bilhões de dólares (R$ 29,8 bilhões).
Trump enfrenta uma intensa pressão para terminar a guerra, impopular inclusive entre sua base de apoio, já que o conflito disparou a inflação.
Segundo o The Wall Street Journal, o governo americano pediu a suas embaixadas que tentem convencer seus aliados a se unir a uma coalizão internacional encarregada de garantir a segurança em Ormuz. Até agora, as capitais ocidentais ignoraram essa proposta.
- "Nunca se fala das pessoas" -
As tentativas de diálogo para pôr fim a este conflito, que abalou a economia mundial e deixou milhares de mortos, especialmente no Irã e no Líbano, não tiveram resultados.
O Irã expressou dúvidas sobre a sinceridade diplomática de Trump. Por sua vez, representantes americanos afirmam não saber quem fala pelo Irã, se é a Guarda Revolucionária, de linha dura, ou os diplomatas.
Os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel decapitaram o poder iraniano, que perdeu vários altos funcionários, começando por seu líder supremo, o aiatolá Ali Hosseini Khamenei.
Em meio a esse impasse diplomático, as consequências econômicas da guerra podem ser desastrosas, advertiu a ONU.
Alguns moradores da capital iraniana são fatalistas.
"A ideia de voltar a viver a guerra é aterradora, mas também não temos esperanças quanto ao resultado das negociações", declarou à AFP Ali, um arquiteto de 52 anos.
"Eles vão negociar e voltam com ainda mais sanções, e as conversas sempre giram em torno da questão nuclear: nunca se fala das pessoas, da economia ou da liberdade", acrescentou.
- Colapso -
O Irã propôs aliviar seu controle do Estreito de Ormuz em troca de Washington suspender o bloqueio dos portos iranianos, mas o governo Trump se mantém cético diante da proposta.
Os Estados Unidos buscam criar "divisões internas" para "fazer o Irã colapsar" por dentro, reagiu o influente presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Na frente libanesa, o exército israelense continua combatendo o movimento pró-Irã Hezbollah, apesar da recente prorrogação do cessar-fogo.
Na quarta-feira, duas pessoas, entre elas um militar, morreram em um novo ataque israelense no sul do país, segundo o exército libanês.
O presidente libanês, Joseph Aoun, instou Israel a "aplicar plenamente" o cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril antes de iniciar negociações diretas.
No Líbano, mergulhado há anos em uma grave crise econômica, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) advertiu que 1,2 milhão de pessoas, de uma população de 4 milhões a 5 milhões, estão ameaçadas pela insegurança alimentar aguda.
burs-arp/ane/abs/mas/jvb/dbh/lm/aa
J.Bergmann--BTB