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Trump suspende operação de escolta de navios em Ormuz para impulsionar acordo com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu nesta terça-feira (5) a operação de escolta de navios através do Estreito de Ormuz, em vigor havia apenas um dia, com o objetivo de alcançar um acordo com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com a ofensiva israelense-americana contra o Irã, Teerã controla essa via estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
Na tentativa de encontrar uma saída para essa situação, que eleva os preços do petróleo, Washington impôs em 13 de abril um bloqueio aos portos iranianos e lançou na segunda-feira a operação "Projeto Liberdade" para permitir que centenas de navios bloqueados no Golfo pudessem atravessar o estreito.
"Levando em conta o enorme sucesso militar" e os "grandes avanços rumo a um acordo completo e definitivo com os líderes iranianos, o 'Projeto Liberdade' será pausado por um curto período de tempo para ver se o acordo pode ou não ser finalizado e assinado", escreveu Trump nesta terça-feira em sua rede Truth Social.
Ele destacou que o bloqueio americano aos portos iranianos — em vigor desde 13 de abril — será mantido e que essa pausa foi decidida após "um pedido do Paquistão e de outros países".
Mais cedo na terça-feira, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que a fase ofensiva contra Teerã havia terminado.
"A operação — Epic Fury — terminou, conforme o presidente informou ao Congresso. Concluímos essa fase", declarou Rubio durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, ao usar o nome em código das operações dos Estados Unidos contra o Irã.
No entanto, o Exército americano afirmou estar preparado para retomar suas operações de combate caso haja uma resposta iraniana às escoltas em Ormuz.
"Nenhum adversário deve confundir nossa contenção atual com falta de determinação", disse o chefe do Estado-Maior, general Dan Caine.
- "Resposta contundente" -
Por sua vez, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, chegou à China nesta quarta-feira (6, data local), onde se reunirá com seu par chinês para discutir, entre outros temas, a guerra no Oriente Médio.
Essa visita ocorre antes da viagem de Trump a Pequim, prevista para os dias 14 e 15 de maio, onde se encontrará com seu homólogo Xi Jinping.
Na segunda-feira, o Irã lançou mísseis e drones contra navios militares americanos, segundo o comando dos Estados Unidos para a região (Centcom).
Também foi acusado de ter disparado contra os Emirados Árabes Unidos, no primeiro ataque contra um país do Golfo desde a trégua — acusação que um alto responsável militar iraniano desmentiu na noite de terça-feira.
"As forças armadas da República Islâmica do Irã não realizaram nenhuma operação de mísseis ou drones contra os Emirados Árabes Unidos nos últimos dias", afirmou o porta-voz do quartel-general do comando das forças armadas, Khatam Al Anbiya, citado pela televisão estatal.
Anteriormente, os Emirados Árabes informaram ter ativado novamente suas defesas aéreas para interceptar mísseis e drones lançados, segundo eles, a partir do Irã.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, ameaçou com uma "resposta contundente" caso qualquer navio se desvie da rota definida pela república islâmica em Ormuz.
Os Estados Unidos não podem "permitir que o Irã bloqueie uma via de navegação internacional", insistiu o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth.
Em um comunicado, Rubio anunciou nesta terça-feira que os Estados Unidos proporão uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para "defender a liberdade de navegação e garantir a segurança do Estreito de Ormuz".
- "Colocar em perigo" -
O principal negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou por sua vez os Estados Unidos e seus aliados de "colocar em perigo" o transporte marítimo.
O Centcom afirmou, apesar das negativas iranianas, que dois navios mercantes com bandeira americana cruzaram na segunda-feira o Estreito de Ormuz escoltados por militares.
A gigante dinamarquesa de transporte Maersk anunciou que um de seus navios conseguiu atravessar o estreito na segunda-feira "acompanhado por meios militares americanos", após ficar retido no Golfo desde o início da guerra.
Até agora, as tentativas de retomar as negociações entre Irã e Estados Unidos fracassaram, apesar de um primeiro encontro direto entre as partes no Paquistão em 11 de abril.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira que seu país está "disposto a qualquer diálogo", mas "nunca cedeu nem jamais cederá à força".
J.Bergmann--BTB