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ONU prevê que crescimento global irá desacelerar em 2026 devido às tensões geopolíticas
Embora a economia global tenha iniciado 2026 com um ritmo positivo, as crises geopolíticas a mergulharam em um período de rupturas e incertezas, anunciou nesta terça-feira (19) a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
A agência prevê uma desaceleração no crescimento global, de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026, devido ao "aumento dos preços da energia, interrupções no transporte, volatilidade do mercado e busca por ativos de refúgio, fatores que afetam o investimento e a demanda".
"A economia global iniciou 2026 com resiliência, impulsionada pelo comércio, pela produção industrial em economias em desenvolvimento e por investimentos relacionados à inteligência artificial", explicou a organização em um comunicado.
No entanto, "o aumento das tensões geopolíticas testa essa dinâmica" e faz com que a economia global passe "de uma fase inicial de choques de oferta e inflação para um período mais frágil, no qual a incerteza prolongada pode levar à escassez e exacerbar as tensões financeiras", estima a Unctad.
Embora os últimos anos tenham sido amplamente caracterizados por tensões comerciais e incertezas políticas, a Unctad acredita que "os riscos geopolíticos estão se tornando a principal fonte de instabilidade para a economia global".
E as economias em desenvolvimento são particularmente vulneráveis. "Muitas precisam lidar com o aumento dos preços dos combustíveis, alimentos e fertilizantes, além de gerenciar as pressões cambiais, o acesso mais restrito ao financiamento e a queda na confiança dos investidores", afirma a Unctad.
A agência prevê, portanto, que o crescimento do comércio global de mercadorias também desacelerará, de 4,7% em 2025 para entre 1,5% e 2,5% em 2026, devido às interrupções nas cadeias de suprimentos, no transporte marítimo e nas decisões de investimento.
Apesar dos riscos crescentes, especialmente para os sistemas alimentares globais, a Unctad acredita que o contexto atual "destaca caminhos concretos para fortalecer a resiliência".
Entre outros fatores, este órgão da ONU cita a energia renovável, que, segundo a agência, "está se tornando cada vez mais competitiva em termos de custos e ocupa um lugar estratégico na redução da exposição às crises dos combustíveis fósseis", embora os investimentos permaneçam "altamente desiguais", em detrimento de muitos países em desenvolvimento.
Para "estabilizar o crescimento e reduzir a vulnerabilidade a crises futuras", a Unctad apela para "uma cooperação internacional reforçada, condições comerciais mais previsíveis, maiores garantias financeiras para as economias em desenvolvimento e uma aceleração dos investimentos em energias limpas acessíveis".
M.Odermatt--BTB