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Drones ucranianos atingem Moscou no último dia das eleições legislativas
A Rússia sofreu neste domingo (20) um ataque em larga escala com mais de 1.600 drones ucranianos, durante o terceiro e último dia das eleições parlamentares, que devem reforçar o controle do poder pelo Kremlin após quatro anos e meio de guerra.
Foi o ataque mais amplo contra Moscou desde o início da ofensiva russa na Ucrânia em 2022. Mais de 1.600 drones foram interceptados, dos quais 450 seguiam para a capital, disse o prefeito, Sergei Sobyanin.
Na região de Moscou, um drone atingiu um grande edifício residencial e deixou a fachada queimada, com vários andares destruídos. O ataque também provocou um incêndio em uma refinaria.
Os ataques ocorreram na madrugada do terceiro e último dia das eleições parlamentares, nas quais ninguém duvida da vitória do partido governante Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin.
A legenda venceu todas as eleições parlamentares desde 2003 e enfrenta outros quatro partidos que apoiam a maioria das políticas de Putin e a ofensiva na Ucrânia.
O único partido contrário à guerra, o Yabloko, foi excluído da votação há poucas semanas pelo Supremo Tribunal.
- "Ataque sem precedentes" -
Mas estas são as primeiras eleições legislativas desde o início da campanha militar na Ucrânia, em 2022, um conflito que, nos últimos meses, se tornou especialmente presente na vida cotidiana dos russos.
Em represália aos bombardeios contra suas cidades, a Ucrânia intensificou os ataques contra a Rússia, atingindo locais distantes, como os Urais e a Sibéria, e provocando escassez de combustível com as ações contra refinarias.
Pelo menos duas pessoas morreram nos ataques de domingo, informou o governador da região de Moscou, Andrei Vorobiov. Além disso, 400 pessoas foram retiradas de um prédio residencial devido a um incêndio.
Um drone ucraniano também atingiu um ônibus na região de Kherson, no sul da Ucrânia, controlada pela Rússia. O ataque deixou dois mortos, incluindo uma funcionária da Comissão Eleitoral, segundo o organismo.
"O ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de perturbar as eleições. O inimigo não conseguiu", declarou o prefeito Sobyanin.
Mas o presidente ucraniano Volodimir Zelensky afirmou que os ataques de Kiev "tiveram um impacto muito importante na região de Moscou".
Iniciada na sexta-feira, a votação, que renovará as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, será encerrada neste domingo às 21h00 locais (15h00 de Brasília).
Além do partido Rússia Unida, disputam as eleições o Partido Comunista, o nacionalista LDPR, o conservador Rússia Justa e o liberal Gente Nova.
A campanha, no entanto, foi limitada diante das divergências entre as legendas autorizadas a participar e a exclusão do liberal Yabloko.
Embora a vitória do Kremlin pareça garantida, uma das incógnitas será a participação, que superava 50% neste domingo, segundo a Comissão Eleitoral.
Antes das eleições, Putin conclamou a população a participar, por considerar o voto uma demonstração de apoio às tropas russas, assim como uma "resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia".
- Ciberataque -
Os adversários políticos de Putin foram, em sua maioria, empurrados para o exílio e seu principal opositor, Alexei Navalny, morreu em uma prisão no Ártico em 2024.
Entre os opositores do Kremlin, houve divergências sobre a estratégia que deveria ser adotada nas eleições.
A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, pediu aos russos contrários à guerra que votassem de forma sincronizada ao meio-dia de domingo, uma tática utilizada nas eleições presidenciais de 2024.
Mas o Yabloko discordou e argumentou que era melhor optar pela abstenção.
Em Berlim, onde vive uma das maiores diásporas de russos, dezenas de simpatizantes da oposição no exílio protestaram aos gritos de "A Rússia será livre" e "Não à guerra".
A votação também acontece de forma eletrônica em quase 30 regiões. Neste domingo, a Comissão Eleitoral denunciou que quase mil ciberataques foram registrados contra a infraestrutura das eleições.
A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, não apontou um responsável específico, mas disse que os ataques pareciam obra de "grupos altamente profissionais e bem coordenados que utilizam ferramentas de inteligência artificial".
L.Janezki--BTB