Berliner Tageblatt - Trump quer que acordo com Irã inclua normalização das relações de países muçulmanos com Israel

Trump quer que acordo com Irã inclua normalização das relações de países muçulmanos com Israel

Trump quer que acordo com Irã inclua normalização das relações de países muçulmanos com Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instou, nesta segunda-feira (25), a Arábia Saudita, o Catar e o Paquistão a normalizarem suas relações com Israel, como parte de um acordo de paz com o Irã, o que aumenta a incerteza nas negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

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O Irã advertiu mais cedo que, apesar dos avanços registrados, Washington e Teerã ainda não estão próximos de alcançar um acordo para acabar com a guerra.

As perturbações no fornecimento de petróleo desestabilizaram a economia global devido ao aumento dos preços da energia.

Apesar da pressão interna, o presidente americano, Donald Trump, garantiu nesta segunda-feira que é possível alcançar um acordo "grandioso e significativo" com o Irã ou nenhum.

Depois, o mandatário conclamou, em uma mensagem nas redes sociais, vários países de maioria muçulmana, entre eles Arábia Saudita, Catar e Paquistão, a normalizarem suas relações com Israel como parte de um acordo de paz com o Irã.

O presidente argumentou que "depois de todo o trabalho feito pelos Estados Unidos para resolver juntos esse quebra-cabeça tão complicado, deveria ser uma obrigação que todos esses países, no mínimo, subscrevam os Acordos de Abraão", assinados a partir de 2020 e que normalizaram as relações entre Israel e vários países árabes.

Anna Jacobs, do Arab Gulf States Institute, com sede em Washington, declarou que esse último pedido de Trump mostra "como o governo dos Estados Unidos entende pouco o Oriente Médio".

"A segurança nacional dos Estados do Golfo foi ameaçada como nunca antes pelas decisões imprudentes do presidente Trump, e ele espera que os Estados árabes lhe agradeçam e normalizem as relações com Israel, algo que não vão fazer neste momento", destacou.

- "Estamos enlouquecendo" -

Uma delegação iraniana liderada pelo principal negociador, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, viajou ao Catar nesta segunda-feira para avançar nas negociações.

Uma fonte próxima indicou que a visita está centrada em questões relacionadas ao Estreito de Ormuz, o urânio altamente enriquecido e a questão dos fundos iranianos congelados.

Mais cedo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a alimentar as expectativas de um acordo iminente nesta segunda-feira, depois de ter afirmado no fim de semana que era possível que "nas próximas horas o mundo receba boas notícias".

"Pensávamos que talvez tivéssemos notícias ontem à noite [domingo], ou talvez hoje [segunda], mas eu não daria muita importância a isso", disse Rubio em Nova Delhi, referindo-se ao possível acordo.

Mas o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, respondeu que isso "é algo que ninguém pode sustentar".

Na capital iraniana, Teerã, moradores que falaram com jornalistas em Paris relataram que estão perdendo a paciência com a falta de avanços nas negociações.

"Estamos enlouquecendo. Imagine ter esperança dez vezes por dia e se decepcionar cem vezes diariamente", explicou Amir, de 40 anos. "Estamos muito frustrados".

- Cobrança de "taxas" em Ormuz -

As forças americanas e iranianas mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto, no plano diplomático, as negociações prosseguem para encontrar uma saída ao conflito. Apesar da interrupção dos bombardeios, o Irã mantém o bloqueio à navegação no Estreito de Ormuz e os Estados Unidos mantêm o bloqueio aos portos da República Islâmica.

Baqaei afirmou que o Irã continuará controlando o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz com a cobrança de taxas, mas insistiu que isso não significa que Teerã deseja "cobrar pedágios".

"Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, exigem a cobrança de certas taxas", declarou Baqaei.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que ele e Trump concordaram que qualquer acordo final com o Irã deve incluir a "exigência" de "desmontar o programa nuclear do Irã e retirar todo o urânio enriquecido do território iraniano".

As autoridades iranianas enfatizaram que, embora Washington exija há muito tempo que o país encerre as atividades de enriquecimento de urânio, as negociações sobre o programa nuclear de Teerã só acontecerão em outra etapa, após um acordo inicial.

O.Lorenz--BTB