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Putin descarta reunião em um futuro próximo com Zelensky
O presidente russo, Vladimir Putin, descartou nesta sexta-feira (5) reunir-se com seu par da Ucrânia, Volodimir Zelensky, em um futuro próximo, um dia depois de o ucraniano pedir um encontro entre os líderes para pôr fim à guerra de quatro anos.
Durante um fórum econômico em sua cidade natal, São Petersburgo, Putin disse que não via "sentido" em se reunir com Zelensky até que os termos de um possível acordo de paz fossem definidos.
Ele também prometeu prosseguir com a ofensiva militar da Rússia até que os objetivos da guerra sejam plenamente alcançados.
A Rússia exige o controle da região oriental ucraniana de Donbass, bem como amplas restrições políticas e militares a seu país vizinho.
Kiev e seus aliados rejeitaram essas exigências por considerá-las equivalentes a uma capitulação.
As negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos não conseguiram aproximar as partes de um acordo.
Zelensky havia feito na quinta-feira um incomum apelo direto ao líder russo ao propor uma reunião cara a cara.
Mas Putin declarou: "Não vejo sentido em nos reunirmos".
"Só faria sentido para a parte ucraniana interromper o avanço de nossas forças armadas. Apenas isso. E nós precisamos de acordos", disse Putin aos participantes do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.
"Deixemos os especialistas trabalharem, elaborarem algumas soluções, e então poderemos nos reunir", acrescentou.
Centenas de milhares de pessoas morreram desde que Putin lançou sua ofensiva em larga escala — que ele chama de "operação militar especial" — em fevereiro de 2022.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta sexta-feira que chegou o momento de retomar as negociações com Moscou para alcançar uma paz duradoura entre Ucrânia e Rússia.
Ele também indicou que se reunirá "em alguns dias" com seus pares alemão, Friedrich Merz, e britânico, Keir Starmer, além do presidente Zelensky.
– O custo da guerra –
Putin reafirmou no fórum que a economia de seu país não entrou em colapso e rejeitou as críticas ocidentais que apontam uma estagnação causada pela guerra na Ucrânia.
A ofensiva do Kremlin contra a Ucrânia colocou as finanças russas sob enorme pressão, com a alta dos preços, aumentos de impostos e custos de empréstimos nos níveis mais elevados em duas décadas afetando duramente muitos cidadãos.
A economia russa encolheu 0,2% no primeiro trimestre de 2026, sua primeira contração trimestral em três anos, em meio à crescente pressão da guerra e das sanções ocidentais.
"Claro que ouvimos críticas de todos os lados dizendo que tudo entrou em colapso", afirmou Putin durante o fórum econômico, um importante evento de investimentos conhecido como o "Davos russo".
"Descemos ao mesmo nível em que os países da zona do euro vêm vivendo nos últimos anos", assegurou o dirigente, acrescentando que a Rússia está promovendo uma economia "soberana".
Zelensky afirmou na quinta-feira, em uma carta aberta dirigida a Putin, que os recursos da Rússia "estão diminuindo consideravelmente" após mais de quatro anos de guerra.
"Vocês não terão dinheiro nem capital político suficientes para continuar comprando a lealdade dos russos como fizeram nos últimos 26 anos", disse o presidente ucraniano, reiterando também sua proposta de um "cessar-fogo total" enquanto negociam um possível fim do conflito.
Com a situação na linha de frente praticamente estagnada, a Ucrânia multiplicou os ataques contra depósitos, refinarias de petróleo e oleodutos russos para privar Moscou dessa fonte de receita.
O Ministério da Defesa russo afirmou ter abatido 123 drones ucranianos durante a madrugada de sexta-feira, alguns deles sobre a região de Moscou, embora nenhum nas proximidades de São Petersburgo, onde drones ucranianos atingiram instalações energéticas e militares na quarta-feira.
– "Apertar o cinto" –
Embora o discurso oficial minimize as dificuldades econômicas, a população sofre as consequências.
Pequenas e médias empresas admitem à AFP que correm o risco de fechar as portas.
"As pessoas têm menos filhos, apertam o cinto e os custos aumentam", explicou Svetlana, proprietária de uma marca de roupas em Khabarovsk, cidade do extremo leste da Rússia.
As interrupções de internet, oficialmente impostas para combater ataques de drones ucranianos, fazem com que seu terminal de pagamento por cartão frequentemente fique fora de serviço.
Vera, de 42 anos, proprietária de um salão de beleza na região de Moscou, viu o preço de seus insumos "dobrar" neste ano, mas espera que a situação seja passageira.
Não se trata de um retorno à caótica crise dos anos 1990, após o colapso da União Soviética, mas de "uma lenta degradação em todos os setores", observou Alexander Koliandre, economista russo radicado em Londres.
J.Fankhauser--BTB