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BCE eleva suas taxas de juros a 2,25% devido à inflação pela guerra no Irã
O Banco Central Europeu (BCE) elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,25%, nesta quinta-feira (11), para combater a inflação crescente causada pela guerra no Oriente Médio.
Este é o primeiro aumento desde setembro de 2023.
A guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, juntamente com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma importante via navegável para o transporte de petróleo, fez com que os preços da energia disparassem.
Alguns economistas previram essa decisão, mas a consideram arriscada em um contexto de desaceleração do crescimento e, por ora, de ausência de uma alta generalizada dos preços.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, rejeitou essas críticas em uma coletiva de imprensa.
O aumento da taxa de juros, decidido por unanimidade pelos membros do Conselho de Governadores, é "claramente um sinal" e "necessário" dada a incerteza e as perspectivas para a inflação, insistiu.
Ao elevar as taxas de juros, o BCE encarece o crédito, o que desacelera o consumo e o investimento. O objetivo é conter a demanda para frear a alta dos preços.
O BCE também prevê que a inflação acelere para 3% em 2026, acima da previsão anterior de 2,6%, e estima que a economia da zona do euro crescerá 0,8%, um ponto percentual abaixo da estimativa de março.
"Não é como se estivéssemos em um ambiente onde o crescimento estivesse ausente ou seriamente ameaçado", afirmou Lagarde.
Mas ela alertou que a persistência dos preços elevados da energia poderia afetar os preços de outros bens e os salários.
"Os mercados, até agora, estão reagindo com calma, mas isso não significa que devamos subestimar os riscos que enfrentamos", acrescentou Kyriakos Pierrakakis, presidente do Eurogrupo, nesta quinta-feira, durante uma reunião no Luxemburgo, comentando a decisão do BCE.
- "Medida de precaução" -
Segundo Lagarde, "o principal risco teria sido não tomar esse tipo de decisão".
O banco tenta evitar repetir o erro de 2022, quando foi acusado de reagir tarde demais ao aumento da inflação ligado à guerra na Ucrânia.
"Se permitirmos que a inflação se descontrole, depois torna-se muito mais difícil trazê-la de volta ao nível de estabilidade de preços que definimos", explicou Lagarde.
A "decisão correta" foi "agir em prol da estabilidade de preços, para que as famílias e as empresas possam tomar as suas decisões de investimento e emprego", acrescentou.
Para Stefan Gerlach, economista do EFG Bank, "este aumento da taxa de juros deve ser visto como uma medida de precaução destinada a reforçar a credibilidade do BCE no combate à inflação, e não como o início de um ciclo de aperto monetário agressivo".
O BCE destacou que as perspetivas permanecem incertas e que atuará "com base nos dados, reunião após reunião".
J.Horn--BTB