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Irã considera 'inútil' negociar com EUA após ataque em Beirute e provoca dúvida sobre acordo
O Irã declarou neste domingo (14) que é "inútil" continuar as negociações de paz com os Estados Unidos e acusou Washington de não cumprir seus compromissos, provocando dúvidas sobre a assinatura de um acordo de paz que, segundo Donald Trump, era iminente.
O último obstáculo surgiu poucas horas após Israel, que iniciou a guerra com os Estados Unidos em fevereiro, anunciar que seu Exército atacou o Hezbollah, apoiado pelo Irã, nos subúrbios do sul de Beirute, uma ação que deixou três mortos.
O presidente dos Estados Unidos afirmou que os ataques israelenses contra o movimento pró-Irã Hezbollah "não deveriam ter acontecido" e voltou a insistir que um acordo de paz com o Irã era iminente, mas não confirmou a assinatura neste domingo.
"Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo o Líbano, e todas as partes devem agir com moderação", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
"Não deveria haver mais ataques israelenses em nenhuma parte do Líbano, mas também não deveria haver ataques de nenhuma outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel (...) Não vamos estragar tudo!", acrescentou.
Antes do ataque, ele afirmou que o governo dos Estados Unidos assinaria um acordo neste domingo com o Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio e que o Estreito de Ormuz seria reaberto imediatamente, mas Teerã não confirmou a informação em nenhum momento.
"A agressão dos sionistas contra Dahieh demonstrou mais uma vez que os Estados Unidos não têm vontade de cumprir seus compromissos ou não têm capacidade para fazê-lo", escreveu o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X, no contexto das negociações para tentar acabar com a guerra.
"Se você não tem a vontade ou a capacidade de cumprir seus compromissos, então é inútil falar em continuar por este caminho", acrescentou.
O presidente americano, que já anunciou sem sucesso acordos iminentes em várias ocasiões, afirmou no sábado que a assinatura aconteceria neste domingo, dia de seu aniversário de 80 anos.
O Irã, no entanto, insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir o conflito paralelo no Líbano.
Um comandante militar iraniano advertiu que o ataque de Israel contra os subúrbios do sul de Beirute não ficará "sem resposta".
Uma fonte do governo americano disse na sexta-feira que o acordo que estava sobre a mesa incluía o Líbano, que foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em 2 de março.
Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, país que atua como mediador no conflito, também havia indicado que a assinatura do acordo aconteceria no domingo.
Porém, a agência iraniana Fars, que citou uma "fonte bem informada" próxima da equipe de negociação iraniana, afirmou na manhã de domingo que "a República Islâmica do Irã ainda não tomou, nem anunciou sua decisão final".
- Delegação do Catar em Teerã -
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, disse no sábado que o acordo não seria assinado no domingo, mas acrescentou: "Não se pode descartar a possibilidade de que aconteça nos próximos dias".
Uma delegação do Catar, outro país mediador no conflito, desembarcou neste domingo em Teerã, segundo a imprensa iraniana.
Algumas possíveis concessões do acordo provocaram críticas entre os líderes conservadores iranianos e, no sábado, uma agência do país publicou um vídeo de dezenas de manifestantes gritando palavras de ordem contra o ministro das Relações Exteriores.
Teerã insiste que manterá o controle do Estreito de Ormuz, mas os Estados Unidos reiteram que isto seria inaceitável.
Desde que impôs seu bloqueio ao estreito — o que perturbou os mercados mundiais —, o Irã exige que os navios obtenham permissão de suas Forças Armadas antes de cruzar a via marítima e criou um novo órgão para supervisionar a área e cobrar pedágios.
Os Estados Unidos responderam com seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse na sexta-feira que o acordo em discussão previa o fim do bloqueio naval americano.
O conflito começou em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu com bombardeios contra alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington.
Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra com os ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva para "eliminar" o movimento xiita.
Os bombardeios israelenses provocaram mais de 3.700 mortes desde março, segundo o governo libanês.
- Negociações estagnadas -
Uma trégua em 8 de abril interrompeu a maior parte dos ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, mas não incluiu Israel, nem paralisou a guerra no Líbano.
As negociações permanecem estagnadas em vários pontos: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz, o fim das sanções ao Irã e a inclusão do Líbano no acordo de paz.
Segundo o chefe da diplomacia de Teerã, o texto que está sendo negociado prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz.
A agência iraniana Mehr publicou na sexta-feira um texto apresentado como um rascunho de protocolo em 14 pontos, que inclui o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio rápido de 24 bilhões de dólares de fundos iranianos congelados no exterior, uma demanda crucial do Irã, que tem sua economia asfixiada pelas sanções.
Sobre o urânio enriquecido, Trump afirma que os Estados Unidos vão recuperar o material "no momento oportuno".
Até agora, Washington afirmava que qualquer acordo deveria conduzir ao "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e permitir recuperar o material para destruí-lo e retirá-lo do país.
O.Bulka--BTB