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Petroleiros iranianos cruzam zona de bloqueio americano
Os primeiros petroleiros iranianos cruzaram a linha de bloqueio dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, informou nesta quarta-feira (17) o site de rastreamento TankerTrackers, dois dias antes da assinatura de um acordo entre os dois países, sobre o qual poucos detalhes foram divulgados.
"Pelo menos dois superpetroleiros da National Iranian Tanker Company (NITC), chamados DIONA (9569695) e HERO2 (9362073), saíram do perímetro do bloqueio da Marinha americana com um total combinado de 3,8 milhões de barris de petróleo iraniano", publicou na rede social X o TankerTrackers, que monitora embarques de petróleo.
O site acrescentou posteriormente que um terceiro petroleiro "cruzou a linha de bloqueio".
"São as primeiras exportações de petróleo bruto do Irã em dois meses", destacou o TankerTrackers.
O portal analisou o sinal dos transponders dos navios, que comparou na terça-feira com imagens de satélite.
O governo iraniano informou no mesmo dia que o bloqueio americano a seus portos havia sido suspenso, antes da cerimônia de assinatura de um acordo de paz com os Estados Unidos prevista para sexta-feira.
A assinatura do memorando de entendimento acontecerá em um resort de luxo na montanha Bürgenstock, na Suíça, e será o ponto de partida de dois meses de negociações, com a muito aguardada reabertura do estratégico Estreito de Ormuz como primeiro passo.
Mas o otimismo com o possível fim da guerra, iniciada em 28 de fevereiro com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, foi abalado por novos ataques israelenses no sul do Líbano.
Apesar das dúvidas, as negociações para um acordo final devem começar imediatamente após a assinatura do texto na Suíça. As conversações deverão incluir decisões sobre o programa nuclear iraniano, a suspensão das sanções internacionais contra Teerã e a reabertura de Ormuz.
Em condições normais, 20% do petróleo mundial trafega por esta rota marítima estratégica, bloqueada pelo Irã desde o início do conflito.
Depois de uma queda significativa nos últimos dias, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, foi negociado na terça-feira abaixo de 80 dólares pela primeira vez desde o início de março.
- Ataque no Líbano -
O acordo deverá permitir ao Irã retomar a venda de petróleo e acabar com o conflito, segundo o Wall Street Journal, que cita pessoas que acompanharam a elaboração do texto.
O jornal acrescentou que as sanções sobre a venda de petróleo serão suspensas imediatamente após a assinatura, o que permitirá ao Irã acessar serviços como bancos, transporte e seguros.
Apesar do anúncio do acordo, o Exército israelense informou que bombardeou o sul do Líbano pouco depois de "identificar um veículo suspeito" perto de soldados do país.
Também anunciou que suas forças interceptaram foguetes e atacaram um lançador de mísseis.
O Comando Central iraniano advertiu que Israel terá uma "resposta dura" aos ataques, que, segundo a imprensa estatal libanesa, atingiram dois veículos e mataram quatro pessoas.
A Agência Nacional de Notícias (ANN) libanesa informou que os aviões israelenses bombardearam a região de Nabatiyeh e as imediações da cidade vizinha de Kfar Tebnit.
Israel também lançou um ataque com drones contra a localidade de Ansariyeh, na região de Zahrani, segundo a ANN.
O Irã insiste que o acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir o fim das hostilidades israelenses no Líbano, onde o país enfrenta o movimento pró-iraniano Hezbollah. Israel afirma que não é parte do acordo.
Um funcionário de alto escalão do governo americano afirmou, sob anonimato, que o pacto já foi assinado eletronicamente pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance, pelo vice-chanceler iraniano, Majid Takht Ravanchi, e pelo principal negociador da República Islâmica, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que "provavelmente na sexta-feira começará uma nova rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos para alcançar um acordo final".
O memorando de entendimento é resultado de semanas de negociações com mediação do Paquistão e do Catar.
Estados Unidos e Israel pressionam para remover os estoques iranianos de urânio altamente enriquecido que teriam ficado sepultados após os bombardeios americanos do ano passado. O Irã defende seu direito de enriquecer urânio para fins civis.
Questionado na reunião de cúpula do G7, na França, sobre quando o memorando de entendimento com o Irã será divulgado, Trump respondeu: "É um documento muito poderoso e quero que seja publicado. Provavelmente muito em breve".
O jornal conservador iraniano Van-e Emrooz exaltou o texto como "um documento de rendição de Trump".
O chanceler Araghchi foi mais comedido. "Temos um histórico de promessas não cumpridas, temos um histórico de acordos rompidos. Tudo isso está presente em nossas mentes", afirmou.
K.Brown--BTB