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Guerra entre Irã e EUA se intensifica com bombardeios e fechamento de Ormuz
A guerra entre Estados Unidos e Irã se intensificou nesta quarta-feira (15) com o bloqueio americano aos portos iranianos e o fechamento do Estreito de Ormuz, o que encerra o protocolo de acordo que deveria reduzir a escalada do conflito iniciado em fevereiro.
Quase um mês depois de Estados Unidos e Irã assinarem um memorando de entendimento para pôr fim à guerra no Oriente Médio, ambos os lados retomaram os combates, com repercussões em toda a região.
O Exército americano confirmou uma nova "onda de ataques" de 90 minutos nesta quarta-feira.
Jadijeh, uma iraniana que conversou com jornalistas da AFP em Paris, acredita que os efeitos da guerra permanecerão "por muito tempo".
"Deus nos livre, mas se a guerra se intensificar, pode levar várias gerações para nos recuperarmos", afirmou na província de Sistão-Baluchistão, localizada a leste do Estreito de Ormuz.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou expandir os ataques na próxima semana, visando usinas de energia e pontes, a menos que Teerã retorne à mesa de negociações.
Longe de se intimidarem, as autoridades iranianas colocaram uma placa gigante no centro de Teerã que mostra o presidente dos EUA em um caixão com a mensagem "Vamos matar Trump", segundo um vídeo da AFPTV.
A disputa pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o trânsito global de petróleo e gás, foi o principal fator para a retomada dos combates e do bloqueio naval na terça-feira.
A retomada dos combates em 7 de julho, após ataques a navios no Golfo atribuídos ao Irã, mina os esforços diplomáticos para aplicar o acordo protocolar assinado em junho, que ratificou o cessar-fogo concluído em abril.
Até agora, os ataques não afetaram a capital Teerã nem as instalações de petróleo e gás no Golfo.
Israel, que iniciou a guerra ao lado dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, não se juntou aos novos confrontos.
- "Sobrevivendo" -
A cidade portuária de Bushehr, que abriga a única instalação nuclear do Irã, foi novamente atacada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira, segundo a agência de notícias estatal Irna.
No sudeste do país, sete soldados morreram quando mísseis americanos atingiram um quartel perto da cidade de Iranshahr, informou o Exército iraniano.
Mais de 30 civis morreram desde a retomada dos combates, segundo o governo iraniano.
Nadin, uma iraniana de 27 anos, pede a Deus que ponha fim à guerra e às dificuldades econômicas.
"Não estamos vivendo, estamos sobrevivendo", afirmou.
Em resposta aos bombardeios, Teerã voltou a atacar instalações americanas em vários países do Golfo e na Jordânia.
Bahrein, Kuwait e Jordânia foram alvos de ataques iranianos durante a madrugada; a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime, reivindicou ataques às instalações da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein e ao centro logístico de Mina Abdullah, usado pelo Exército americano.
- Irã ameaça fechar outras vias -
Além do impacto no comércio global de hidrocarbonetos, a ONU expressou alarme na terça-feira sobre as "graves consequências socioeconômicas e humanitárias" do bloqueio desta "rota de trânsito essencial da qual milhões de pessoas dependem" para alimentos, medicamentos e outras necessidades básicas.
A Guarda Revolucionária declarou que o estreito "permanecerá fechado até que os Estados Unidos cessem seus atos de agressão" e mencionou o possível fechamento de "outras rotas de exportação de petróleo e gás" que beneficiam os Estados Unidos e seus aliados.
Com a reimposição do bloqueio dos portos iranianos, Trump quer pressionar o governo iraniano em relação às suas divergências sobre o Estreito de Ormuz.
Teerã afirma há meses que deseja cobrar um pedágio pela passagem por essa hidrovia.
Esta semana, Trump surpreendeu a todos ao declarar que cobraria uma taxa em troca da proteção de Ormuz. Mais tarde, ele recuou. Segundo afirmou, a questão estaria mais relacionada a "acordos comerciais e investimentos" com as monarquias do Golfo.
burx-am/tmt/mas-erl/avl/aa/fp
O.Bulka--BTB