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EUA restringe permanência de jornalistas e estudantes estrangeiros
Os Estados Unidos decidiram restringir o tempo de permanência legal no país de jornalistas e estudantes estrangeiros, segundo um documento administrativo publicado nesta quinta-feira (16), em um novo endurecimento da política migratória do presidente Donald Trump.
Se não for bloqueada no Congresso, a medida entrará em vigor em setembro.
Segundo a nova normativa, os estrangeiros que tiverem visto de estudante não poderão permanecer mais que quatro anos no território americano.
A estadia para jornalistas estrangeiros será limitada a 240 dias, cerca de oito meses, embora será possível optar por extensões por períodos iguais.
Os jornalistas chineses serão submetidos a um marco especialmente restritivo, com vistos de 90 dias no máximo.
Em carta aberta, uma centena de veículos de imprensa e organizações noticiosas internacionais, entre elas a AFP, consideraram que a medida "reduziria a quantidade e a qualidade da cobertura" da atualidade americana.
O Partido Republicano de Trump, que prometeu pôr fim à imigração ilegal e limitar a legal, é majoritário no Congresso.
Até agora, os Estados Unidos concediam vistos pela duração do programa de estudos para os estudantes e de até cinco anos para jornalistas.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) recebeu cerca de 22 mil comentários públicos quando propôs as normas para estudantes e jornalistas em agosto de 2025, mas praticamente não as modificou.
O DHS alegou, então, que os estrangeiros prolongavam indefinidamente seus estudos para poder permanecer no país como "estudantes eternos".
Também afirmou que o mecanismo, com períodos de fim indeterminado que estiveram vigentes para os estudantes desde o final da década de 1970, tinha minado sua capacidade de supervisionar os beneficiários dos vistos.
Os Estados Unidos receberam mais de 1,1 milhão de estudantes internacionais no ano acadêmico 2023-2024, mais que qualquer outro país. Em 2023, eles aportaram à economia americana mais de 50 bilhões de dólares (R$ 242 bilhões, na cotação da época), segundo dados oficiais.
As associações de educação superior tinham denunciado a proposta de limitar as estadias de estrangeiros como um obstáculo burocrático desnecessário que dissuadiria estudantes talentosos.
As universidades já informaram sobre uma redução nas matrículas internacionais, após medidas anteriores do governo Trump, entre elas a revogação de milhares de vistos de estudantes e a suspensão de bilhões de dólares em financiamento federal para pesquisas.
Grupos de imprensa e outras entidades internacionais, inclusive a embaixada do Japão, instaram o DHS a permitir períodos de admissão entre dois e cinco anos para os correspondentes estrangeiros nos Estados Unidos.
O DHS rejeitou estas propostas, assim como a solicitação de uma tramitação rápida e com tarifas reduzidas para jornalistas.
Trump propôs restrições similares ao final de seu primeiro mandato (2017-2021), mas seu sucessor, o democrata Joe Biden, descartou a proposta.
S.Keller--BTB