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Trump condiciona acordo nuclear civil com Arábia Saudita a reconhecimento de Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condicionou nesta quinta-feira (23) o acordo para estabelecer um programa nuclear civil na Arábia Saudita à normalização das relações desse país do Golfo com Israel.
O pacto foi anunciado na quarta-feira, enquanto os Estados Unidos travam uma guerra contra o Irã, iniciada em grande parte devido às preocupações com o programa nuclear de Teerã, tema central das estagnadas negociações de paz.
Espera-se que o acordo gere bilhões de dólares para empresas americanas, embora críticos temam que possa acarretar riscos.
Também era considerado uma grande vitória para a Arábia Saudita — rival regional do Irã —, já que parecia conceder-lhe acesso à tecnologia nuclear sem que fosse necessário normalizar as relações com Israel.
No entanto, Trump afirmou, nesta quinta-feira, que o acordo "será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão", em referência ao conjunto de tratados destinados a normalizar as relações de algumas nações historicamente hostis com Israel.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou que um reconhecimento saudita de seu país seria "um avanço histórico para a paz no Oriente Médio", disse seu gabinete em comunicado.
No entanto, críticos insistem que o acordo — cujo texto não foi tornado público imediatamente — poderia desencadear uma corrida nuclear em uma região já devastada pela guerra.
Uma cláusula do acordo poderá prever que empresas americanas construam uma usina de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, segundo informou o Wall Street Journal.
O Departamento de Energia americano não mencionou essa cláusula e nem comentou o assunto após consulta da AFP, enquanto Trump escreveu em sua plataforma Truth Social: "Não haverá enriquecimento de material!".
O Congresso deverá analisar o acordo, mas é pouco provável que o Legislativo, controlado pelos republicanos, atrase sua implementação.
"Trump afirma que sua guerra contra o Irã tem como objetivo impedir que um país autoritário enriqueça material nuclear", escreveu o senador americano de esquerda Bernie Sanders no X.
"Agora ele permite que seus melhores amigos na Arábia Saudita — uma das ditaduras mais brutais do mundo — façam exatamente isso. É absurdo", acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que "qualquer acordo" que assinarem "com qualquer país do mundo sobre energia nuclear civil contará com salvaguardas para garantir que não possa se transformar em um programa de armas".
A Arábia Saudita, assim como o Irã, defende seu direito de desenvolver um programa nuclear para fins civis. No ano passado, o país assinou um pacto de defesa mútua com o Paquistão, país dotado de armas nucleares.
- Preocupações com a proliferação -
Washington firmou, em 2009, um acordo nuclear com os Emirados Árabes Unidos, embora esse país não enriqueça seu próprio urânio.
Em maio, um drone atingiu um gerador, provocando um incêndio nas proximidades da usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, a única instalação desse tipo existente no mundo árabe.
O secretário americano de Energia, Chris Wright, minimizou as preocupações com a proliferação nuclear e insistiu que o acordo atende aos interesses econômicos e estratégicos de Washington.
"Podem ter certeza de que esses acordos cumprem os mais elevados padrões de segurança nuclear e de não proliferação e que se baseiam na melhor tecnologia e nos melhores cientistas nucleares do mundo, desenvolvidos aqui mesmo nos Estados Unidos", afirmou em comunicado.
Jennifer T. Gordon, diretora da Iniciativa de Política de Energia Nuclear do Atlantic Council, comemorou o acordo como uma "vitória para os Estados Unidos diante da Rússia e da China".
"A Arábia Saudita deixou claro que comprará tecnologias de energia nuclear e implementará um programa nuclear civil; a única questão era se o reino optaria por trabalhar com os Estados Unidos e seus aliados ou se recorreria à Rússia ou à China", afirmou.
D.Schneider--BTB