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Capital saudita em alerta de ataque aéreo; incêndio perto do aeroporto
Fumaça e chamas eram observadas neste sábado (19) perto do aeroporto internacional de Riade, onde um alerta de ataque aéreo foi acionado pela primeira vez desde a retomada do conflito no Iêmen entre os houthis e o governo apoiado pela Arábia Saudita.
A capital do reino saudita foi sacudida por fortes explosões durante a madrugada e o aeroporto registrou grandes perturbações.
Correspondentes da AFP observaram que um depósito da petroleira estatal Aramco estava em chamas perto do aeroporto e que equipes de bombeiros tentavam controlar o incêndio.
Pouco antes, moradores relataram à AFP que uma densa coluna de fumaça era visível nas proximidades do aeroporto.
O site especializado Flightradar24 registrou perturbações importantes no aeroporto, com vários voos cancelados ou atrasados.
- Aumento dos ataques -
O reino sofreu nos últimos dias um aumento dos ataques dos houthis, combatentes pró-Irã que controlam grande parte do vizinho Iêmen.
Em uma ofensiva relâmpago contra o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado por Riade, os houthis tomaram toda a costa do Mar Vermelho, o que concede o controle do crucial Estreito de Bab el-Mandeb.
Mas é a primeira vez, nesta nova etapa do conflito, que o alerta aéreo é ativado na capital saudita, o principal exportador mundial de petróleo bruto e aliado estratégico dos Estados Unidos na região.
As hostilidades abalam ainda mais uma economia mundial já fragilizada por quase sete meses de guerra no Oriente Médio entre Washington e Teerã.
"A região está sob uma ameaça aérea hostil", alertava uma mensagem enviada aos moradores de Riade em seus telefones pouco antes das 3h00 locais (21h00 de sexta-feira, no horário de Brasília), na qual eram orientados a permanecer em casa.
Posteriormente, jornalistas da AFP ouviram duas explosões e o alerta foi suspenso cerca de meia hora depois pela Defesa Civil saudita.
- "Aterrorizante" -
"Ouvi o alarme e, em seguida, minhas janelas tremeram", declarou à AFP um morador de 27 anos do norte da cidade. "Foi realmente muito assustador. Eu não esperava isso".
Outro morador descreveu o incidente como "aterrorizante". "Eu estava muito angustiado, especialmente porque, ao contrário de ocasiões anteriores, o sinal de fim do alerta não chegou imediatamente", explicou um morador do centro de Riade.
A Arábia Saudita ainda não se pronunciou sobre a ameaça mencionada nos avisos enviados durante a noite aos moradores de várias regiões.
Durante a semana, Riade acusou os houthis por um ataque contra Meca e denunciou um "ataque terrorista covarde" contra a cidade sagrada do islã, que recebe todos os anos milhões de peregrinos, sunitas e xiitas.
Os houthis negaram veementemente a acusação, que chamaram de "mentira batida".
- Redução das exportações sauditas -
A guerra no Iêmen começou em 2014, quando os houthis tomaram o controle da capital, Sanaa, e depois de outras regiões, o que desencadeou, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.
Uma frágil trégua alcançada em 2022 entre as partes beligerantes foi rompida em julho, quando os combatentes pró-Irã desafiaram o controle de Riade sobre o espaço aéreo iemenita ao permitir que um avião iraniano pousasse no Iêmen.
A recente tomada do litoral iemenita no Mar Vermelho provocou preocupação com o comércio marítimo internacional, já gravemente afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz por parte de Teerã desde o início da guerra regional, no fim de fevereiro.
Os houthis insistem que não existe qualquer ameaça à navegação por esta rota, que liga Europa e Ásia, exceto para os navios sauditas.
Os números da empresa de rastreamento marítimo Kpler mostram que as exportações de Riade através do Estreito de Bab el-Mandeb diminuíram desde julho, embora cinco navios cargueiros tenham atravessado a rota na última semana.
J.Horn--BTB