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Por que as ações de tecnologia estão caindo?
O temor dos investidores sobre um possível fim do boom da inteligência artificial e a preocupação com a concorrência chinesa na fabricação de semicondutores provocaram, nesta terça-feira (28), um colapso nas ações de tecnologia.
A sul-coreana Samsung Electronics caiu mais de 12% e a fabricante japonesa de chips de memória Kioxia perdeu 18%, enquanto o gigante taiwanês TSMC recuou 3%.
As quedas ocorrem após as perdas das ações de tecnologia nos Estados Unidos, na esteira de um relatório segundo o qual uma empresa iniciou a produção de máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV, na sigla em inglês), que impulsionará a indústria chinesa de semicondutores.
Os principais fatores por trás da queda do setor são os seguintes:
- Tecnologia chinesa de chips -
As ações de tecnologia de Wall Street despencaram na segunda-feira depois que o veículo especializado The Information revelou que uma empresa estatal chinesa fabrica máquinas de litografia DUV. Os sistemas permitem gravar circuitos microscópicos em silício para produzir os microchips que impulsionam a IA e todo tipo de dispositivo eletrônico.
A DUV é menos avançada que a chamada litografia ultravioleta extrema (EUV, na sigla em inglês), uma tecnologia que pertence apenas à empresa holandesa ASML.
Restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos impedem a ASML de vender suas máquinas de EUV à China, mas a imprensa tem informado que o país está na fase inicial de produção de seus próprios equipamentos de EUV.
Gravar chips com DUV "é mais lento, tem menor rendimento e é mais caro do que com EUV, mas demonstra ser suficiente para chips de tecnologia quase de ponta, o que preocupa autoridades e investidores que davam como certo que a China enfrentava restrições maiores", escreveu Angela Harmantas, da Proactive Investors.
- Superaquecimento -
Harmantas explicou que as quedas "também refletem preocupações mais amplas sobre a avaliação" do setor de tecnologia.
As ações ligadas à IA dispararam. A sul-coreana SK hynix aumentou seu valor em 500% nos últimos 12 meses. Isso despertou temores de superaquecimento e dúvidas sobre os valores astronômicos investidos no desenvolvimento da IA e na construção de novos centros de dados.
"As expectativas elevadas associadas aos gastos com infraestrutura de IA deixaram as altas do setor vulneráveis à obtenção de lucros em meio a condições macroeconômicas mutáveis", afirmou Harmantas.
Se a bolha da IA estourar, o impacto poderá ser maior do que qualquer coisa já vista em Wall Street, alertam especialistas.
- Riscos de dívida -
Há cerca de seis meses, as grandes empresas de tecnologia estavam recomprando suas próprias ações, algo que aponta para um excesso de liquidez e aumenta o valor de seus papéis.
Atualmente, estão se endividando para financiar suas operações de IA, o que pode se complicar se as taxas de juros subirem.
"A primeira fase do boom da inteligência artificial foi financiada com caixa, confiança e alguns dos balanços mais sólidos do setor empresarial dos Estados Unidos", escreveu Stephen Innes, da SPI Asset Management.
Mas "o desenvolvimento da IA enfrenta uma inclinação mais acentuada justamente quando se reduz a diferença entre o investimento de capital e a geração interna de caixa", advertiu.
Innes citou um relatório de pesquisa do Goldman Sachs que prevê que a emissão de dívida das grandes empresas de tecnologia passará de 250 bilhões de dólares (1,27 trilhão de reais) em 2026 para 400 bilhões (2,03 trilhões de reais) em 2027.
- Temporada de resultados -
Os lucros recordes de gigantes da cadeia de suprimentos como a TSMC costumavam impulsionar os mercados de ações, à medida que os investidores apostavam fortemente na expansão da indústria de IA.
Em meados de julho, a TSMC anunciou um aumento de 77% no lucro em termos anuais, e suas ações desvalorizaram no dia seguinte. Para esta semana, são esperados resultados de empresas como SK hynix, Samsung Electronics e o japonês SoftBank Group, de investimentos em tecnologia.
Dilin Wu, pesquisadora da Pepperstone, disse à Bloomberg News que "agora a barra está extremamente alta" para os resultados do setor de tecnologia.
"Parte do que estamos vendo provavelmente se deve ao fato de que os operadores estão reduzindo suas posições antes de conhecerem os resultados, em vez de esperar para saber quais serão", acrescentou.
C.Kovalenko--BTB