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Começa em Pequim o julgamento de recurso contra a Malaysia Airlines pelo voo desaparecido
Familiares dos passageiros chineses do voo MH370, desaparecido há 12 anos em um dos maiores mistérios não resolvidos da aviação, compareceram a uma audiência de apelação em Pequim nesta terça-feira (28) para exigir respostas.
Em 8 de março de 2014, um Boeing 777 da Malaysia Airlines, que voava de Kuala Lumpur para Pequim, desapareceu dos radares com 239 pessoas a bordo, a maioria chinesas.
Os passageiros, os destroços e as caixas-pretas da aeronave nunca foram encontrados, e o caso permanece um dos maiores mistérios da história da aviação civil.
Em dezembro de 2025, um tribunal de Pequim ordenou que a Malaysia Airlines pagasse 2,9 milhões de yuanes (cerca de 420.000 dólares ou 2,14 milhões de reais) a oito famílias de passageiros chineses.
Desapontadas com a falta de respostas substanciais, duas famílias entraram com um recurso. Outras, por sua vez, retiraram suas reivindicações por falta de tempo ou energia.
"Quando vi a sentença de primeira instância, tive a impressão de que o tribunal estava insultando as famílias dos passageiros, que estava zombando de nós", disse Li Eryou, de 69 anos, à AFP antes de entrar no tribunal onde o recurso está sendo analisado.
- Estabelecer "a verdade" -
"Em 12 anos, ninguém nos pediu desculpas. Sinto uma raiva imensa", disse Li, cujo filho estava a bordo do avião.
"É uma questão internacional (...). Mas o juiz do caso tratou como um simples acidente de transporte na China (...). É por isso que o valor da indenização é tão baixo" em comparação com os padrões habituais, acrescentou.
Diversas teorias foram levantadas sobre o desaparecimento do avião: suicídio do piloto, sequestro, ataque com míssil americano ou até mesmo uma falha técnica que privou a tripulação de oxigênio; avião teria continuado no piloto automático até ficar sem combustível e cair no mar.
"O principal motivo deste recurso é que o tribunal (...) não conduziu uma investigação completa dos fatos e não indiciou nem criticou a inação da Malaysia Airlines" desde 2014, disse à AFP Jiang Hui, que representa as famílias chinesas e cuja mãe estava no avião.
O tribunal "limitou-se a decidir sobre o valor da indenização, o que não reflete o que as famílias realmente esperam", acrescentou.
Segundo afirmou, a principal reivindicação das famílias "é que a verdade seja estabelecida".
H.Seidel--BTB