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Os números por trás da corrida por alternativas à exportação de petróleo via Ormuz
A interrupção da navegação pelo Estreito de Ormuz levou os países produtores de petróleo do Golfo a acelerar os planos para rotas alternativas de exportação, com uma série de projetos de oleodutos anunciados ou retomados.
A seguir, um resumo das propostas.
– Panorama regional –
Um total de 14,95 milhões de barris por dia (mbd) de petróleo bruto foi exportado pelo Estreito de Ormuz em 2025, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
O Irã exportou cerca de 1,69 milhão de barris por dia e deve continuar dependendo de Ormuz no longo prazo, dado seu controle efetivo sobre essa via marítima, afirmou Andrew Wilson, da BRS Shipbrokers, à AFP.
"O Irã simplesmente vai produzir o máximo que puder e enviar o máximo possível para a China. Na verdade, isso não representa um grande problema", disse.
Dos 13,26 milhões de barris por dia restantes, até 11,5 milhões poderiam ser redirecionados no futuro por meio da utilização máxima da capacidade dos oleodutos existentes e da conclusão dos projetos planejados, segundo anúncios oficiais e especialistas do setor.
– Arábia Saudita –
Antes do início da guerra, no fim de fevereiro, a Arábia Saudita transportava cerca de 2 milhões de barris por dia de petróleo bruto por meio de seu Oleoduto Leste-Oeste, que liga Abqaiq, próximo à costa do Golfo, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, segundo a AIE.
A gigante estatal Aramco informou, em março de 2025, que havia ampliado a capacidade do oleoduto para 7 milhões de barris por dia, deixando até 5 milhões de barris diários de capacidade ociosa.
Riade também planeja uma nova expansão de até 2 milhões de barris por dia, segundo o Instituto de Pesquisa Energética (IER), sediado nos Estados Unidos.
O IER afirmou que ainda "não está claro" se isso envolverá a modernização da infraestrutura existente ou a construção de um oleoduto paralelo.
Segundo Wilson, o projeto poderá ser concluído entre 2030 e 2031.
– Emirados Árabes Unidos –
Antes do conflito, os Emirados Árabes Unidos exportavam cerca de 1,1 milhão de barris por dia de petróleo bruto por meio do Oleoduto de Petróleo de Abu Dhabi (ADCOP), que liga os campos petrolíferos do interior ao porto de Fujairah, no Golfo de Omã, contornando o Estreito de Ormuz.
A AIE informou que o oleoduto tem capacidade para 1,8 milhão de barris por dia, o que deixa disponíveis outros 700 mil barris diários.
Os Emirados anunciaram, em maio, que acelerariam a construção de um segundo oleoduto, que correrá paralelamente ao trajeto existente antes de se estender até a costa norte do país, permitindo que o petróleo produzido ao norte de Ormuz seja exportado sem passar pelo estreito.
Segundo o Escritório de Mídia de Abu Dhabi, o projeto dobrará a capacidade de exportação por Fujairah e deverá entrar em operação no próximo ano.
– Iraque –
O Departamento de Estado americano informou, no início de julho, que estão em andamento planos para restaurar um importante oleoduto que liga os campos petrolíferos do Iraque à costa mediterrânea da Síria.
Washington coordena um consórcio internacional "para executar os aspectos técnicos e financeiros desse projeto", que deverá ter capacidade inicial de 2 milhões de barris por dia, informou o departamento.
No entanto, nenhum cronograma foi anunciado e obstáculos políticos e de investimento podem atrasar o projeto, alertou Wilson.
– Kuwait e Bahrein –
Nem o Kuwait nem o Bahrein dispõem atualmente de um oleoduto que contorne o Estreito de Ormuz.
No entanto, ambos mantiveram recentemente conversas com a Arábia Saudita sobre uma possível conexão à sua rede de oleodutos, segundo o IER.
L.Dubois--BTB